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sexta-feira, 1 de abril de 2016

ALVOS NA VIDA CRISTÃ QUE EDIFICAM A IGREJA

ALVOS NA VIDA CRISTÃ QUE EDIFICAM A IGREJA

“7Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. 8 Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo 9 e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; 10 para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; 11 para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. 12 Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. 13 Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, 14 prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. 15 Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. 16 Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.” (Filipenses 3.7-16)
O apóstolo Paulo escreveu a Carta aos Filipenses com dois propósitos em mente: a) Para agradecer à igreja de Filipos sua generosidade demonstrando alegria para com aqueles irmãos. Essa é uma carta de gratidão à igreja pelo seu envolvimento com o apóstolo em suas necessidades (4.15). b) Para alertar a igreja sobre os perigos que estava enfrentando. A igreja de Filipos enfrentava dois sérios problemas: um interno e outro externo (2.3,4, 14; 3.2). Após exortar a igreja quanto à unidade (1.27 – 2.18), Paulo orienta essa igreja contra os falsos mestres (cf cp 3). Estes pregavam a religiosidade acima de uma vida cristã (cf 3.1-6), mas o apóstolo diz que os crentes têm alvos sólidos e verdadeiros: “Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”(v.14).
O sucesso de qualquer iniciativa na vida depende em grande parte dos alvos que estabelecemos. Os alvos servem para definir os propósitos, orientar as decisões e nos desafiar. 
Paulo nos desafia a estabelecer alvos que nos fazem crescer espiritualmente para a glória de Deus! Através de seu exemplo, o apóstolo nos mostra o primeiro alvo que é:
Conhecer mais do Senhor Jesus (v.7-8) 
O que significa conhecer a Cristo? – Na carta aos Filipenses e em outros textos da Bíblia a palavra “conhecer” não é meramente uma questão intelectual, mas sim experimental (mente e coração). Jesus diz que este conhecimento é vida eterna: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”(Jo 17.3 também Gl 4.9). Não podemos descartar o conhecimento intelectual, mas a ênfase aqui é “mente e coração”.  É participar com Cristo de certa experiência. Podemos dizer que esse conhecimento é uma “intimidade” com Cristo. E isso não se consegue com uma mera religiosidade: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci…”(Mt 7.22-23).
Esse conhecimento é maior do que qualquer outra coisa (v.7) – O apóstoloPaulo era um homem zeloso pela religião que servia (v.4-6). No entanto, isso não era suficiente para ter uma vida de conhecimento de Jesus. Tudo o que viveu ele considerou como perda. Não que as coisas que viveu eram más em si mesmas. Fazer parte do povo da aliança e conhecer a lei não eram coisas ruins. Mas quando essas coisas passam a ser base para a vida cristã, como entrada no céu, aí está o problema. Paulo viu como perda porque em Cristo: “… superabundou a graça”(cf Rm 5.20). E nada é mais importante do que o conhecimento desse Jesus maravilhoso!
Conhecer mais de Cristo é abandonar o mundo (v.8) – Paulo considerava as coisas alcançadas como “refugo”. Esta palavra grega pode ser traduzida por “estrume”, “lixo”. Assim isso não tem valor algum para o conhecimento de Cristo. Ele sabia que não se pode “ganhar o mundo inteiro e perder sua alma”(cf Mt 16.26). Não podemos conhecer Jesus Cristo se nossa mente está voltada para as coisas do mundo que nos afastam de Deus. O amor do Pai não pode estar em nós se amarmos esse mundo (cf 1Jo 2.15-16).
Jesus disse: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim”(Jo 10.14). É característica cristã conhecer o Senhor Jesus! Precisamos entender que há Alvos na vida cristã que edificam a igreja e o primeiro, destacado pelo apóstolo é Conhecer mais de Cristo (v.7-8)Mas esse conhecimento não é meramente intelectual e sim uma vida com Cristo, de intimidade com ele. E para alcançar devemos abrir mão da falsa religiosidade e do mundanismo que nos cerca! . O que implica conhecer Cristo? 1º Experimentar o poder de sua ressurreição (v.10a); 2º Participar dos seus sofrimentos (cf Fp 1.29)!
Ainda, através do exemplo de Paulo, podemos ver o segundo alvo que é:
Depender somente do Senhor Jesus (v.9-11)   
Abrir mão da justiça própria (v.9) – O ser humano tem a tendência de pensar que seu esforço em produzir uma vida “santa” produz justiça de Deus, mas não é isso que a Bíblia diz: “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.”(Rm 1.17). E esta fé deve estar na obra de Cristo que foi realizada na cruz para remição dos pecados! O homem tem por salário do pecado a morte (cf Rm 6.23). Somente Deus pode justificar o ímpio. Cristo morreu por ele (Rm 4. 5; 5.6). Paulo estava dizendo que ninguém alcança a justiça de Deus cumprindo a lei do AT. E essa justiça é pela fé. Essa justiça “procede de Deus” (Fp 3.9b). O homem é responsável por exercer a fé, porém a obra toda é do Senhor (cf Rm 3.23; Ef 2.8).
A justiça de Deus nos leva à perfeição espiritual (v.10-11) – O apóstolo diz “para conhecê-lo”. Aqui ele resume o pensamento do verso 8 e une suas palavras à idéia anterior de justiça que é de Deus baseada na fé. Uma pessoa que foi tirada das trevas e levada para a luz de Cristo, quer a cada dia mais do amor, da mansidão, ensino, enfim tudo de Cristo! A justiça de Deus em nós (justificação em Cristo) causa um ardente desejo em conhecer a Jesus. Somos totalmente ligados a Cristo. Somos dependentes de seu amor e graça.
Tudo depende da obra de Cristo – A nossa entrada na presença de Deus depende de Cristo: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus,aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.”(Hb 10.19-22). Não podemos ser aceitos na presença de Deus sem Cristo, ele é nosso mediador (cf 1Tm 2.5). Só através dele podemos nos achegar ao Trono de Deus. Por isso nossa oração é em “Nome de Cristo”. Para produzirmos frutos na igreja precisamos de Cristo, assim o Senhor deixou claro aos discípulos: “… porque sem mim nada podeis fazer.”(Jo 15.5). Até mesmo a criação depende do Senhor Jesus: “Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora.”(Rm 8.20-22). Assim podemos dizer como o salmista disse do Senhor que de Cristo “… dependem a minha salvação e a minha glória; estão em Deus a minha forte rocha e o meu refúgio.”(Sl 62.7).
Irmãos somos dependentes de Cristo somente dele! A nossa justiça própria não agrada a Deus! Nossa religiosidade sem vida com Jesus Cristo é abominação para Deus. Se quisermos agradar a Deus precisamos entender que nossa vida é totalmente dependente do Senhor Jesus. Sem ele nada podemos fazer. Nele: “… vivemos, e nos movemos, e existimos…”(At 17.28). Precisamos de Cristo para salvação, para tomar decisões, para santificação, para termos orações respondidas. Assim precisamos “andar em Cristo” (cf Cl 2.6).
E finalmente, através do exemplo de Paulo, podemos ver o terceiro e último alvo que é:
Perseverar na fé no Senhor Jesus (v.12-16)
Perseverar é uma constante corrida (v.12-13) – O apóstolo Paulo faz referência nestes versos a imagem das competições desportivas (cf Fp 2.16; 1Co 9.24-7). A vida cristã é uma corrida para a perfeição. Ela, primeiramente, depende do ânimo do corredor! Paulo diz: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição…”(v.12a) – A vida cristã exige perseverança! Paulo era um grande defensor da teologia da predestinação (cf Ef 1.4), e tinha, como vemos em suas cartas, plena certeza da salvação. Porém ele nunca defendeu uma eleição sem responsabilidade humana, numa salvação sem esforço humano. Sabendo que era salvo ele tinha certeza que não tinha alcançado completamente e ressurreição espiritual. Por isso ele perseverava. Alguns ensinavam a igreja que tinham alcançado a perfeição com os ritos judaizantes, mas Paulo diz não (v.13).
Perseverar é empenhar (v.13b) – “... porém uma coisa faço…” -  Uma coisa ocupa a mente do apóstolo “correr a corrida”! E ele não fica com medo das adversidades e nem preso a algo que o impeça! Ele está decidido a manter-se firme na corrida Cristã! Ele almejava ganhar a Cristo e a perfeição nele. Aquele que empenha na corrida Cristã não olha para traz“… esquecendo-me das coisas que para trás ficam...”(v.13b). O bom corredor não olha para traz. Se olhar ele perde a velocidade e a direção. Como disse o Senhor “Lembrai-vos da mulher de Ló.” (cf Lc 17.32). O que Paulo deixou para traz? A vida de méritos que viveu, de justiça própria e independência de Deus. Avança para o alvo“… avançando para as que diante de mim estão”(v.13c). O verbo grego nos dá idéia de alguém exercitando todos os seus músculos para correr, correndo com todas as suas forças para o alvo com as mãos estendidas como se quisesse agarrá-lo.
Qual o alvo no qual devemos perseverar (v.14-16)? -  A perfeição que está em Cristo. Paulo desejava de todo o seu coração ser libertado do pecado. Assim ele empenhava sua vida buscando a essa perfeição. Ele queria o “prêmio” (galardão). Um corredor jamais esquece do prêmio: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.”(1Co 9.24). No final das corridas, na Grécia antiga, o vencedor era convidado para chegar diante do juiz e receber o prêmio. Esse prêmio era uma coroa de louros: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível.”(1Co 9.25). Que prêmio Paulo esperava receber? A perfeição em Cristo! Ele diz: “... Todos, pois, que somos perfeitos...”(v.15) – A palavra grega usada para “perfeitos” pode ser traduzida por “maduros”, é uma referência para crentes que alcançaram maturidade em Cristo (cf 1Co 2.6). Mesmo assim, precisamos perseverar na fé!
O nosso alvo é: Perseverar na fé em Cristo (v.12-16) – Quantos desistiram da corrida e estão pelo caminho? Nossa corrida só termina quando morrermos ou quando Cristo voltar. E perseverar é empenhar nossa vida! Nosso alvo não são as riquezas deste mundo ou os prazeres oferecidos, mas Cristo Jesus o nosso Senhor! Como devemos andar? “Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.”(v.16) – Andemos baseados naquilo que Deus tem nos ensinado, em linha reta. E usemos as ferramentas necessárias para viver uma vida santa diante do Senhor.  
Alvos na vida cristã que edificam a igreja - Através do exemplo de Paulo, podemos ver que nosso alvo é Conhecer mais do Senhor Jesus (v.7-8) e para esse conhecimento, devemos abandonar o mundo. Nosso alvo também, conforme o apóstolo é: Depender somente do Senhor Jesus (v.9-11) – Devemos abrir mão de nossa justiça e depender da obra de Cristo na cruz. E por fim Paulo nos mostra que temos um outro alvo: Perseverar na fé no Senhor Jesus (v.12-16) – Muitos desistem na metade do caminho e não alcançam o alvo. Devemos nos empenhar para termos uma vida que agrade a Deus. E jamais desistir! Que Deus nos ajude nesta corrida e nos dê forças! 

Por  Rev. Ronaldo P Mendes
Via Solus Christus

domingo, 28 de fevereiro de 2016

EXERCITA-TE A TI MESMO NA PIEDADE

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EXERCITA-TE A TI MESMO NA PIEDADE

A seção do blog para o qual este texto está sendo escrito chama-se Jovens Piedosos, e percorrendo por toda a Escritura, podemos encontrar jovens como José, Davi e Daniel, exemplos de piedade e subserviência à Deus. Hoje, porém, gostaria de pensar um pouco sobre outro jovem, Timóteo, que teve o privilégio de acompanhar o grande apóstolo Paulo em suas viagens missionárias e ser orientado por ele.
Paulo tinha grande afeto por Timóteo, tanto é que se refere a ele como seu “amado filho”. Timóteo havia sido deixado em Éfeso para pastorear a igreja, e Paulo o escreveu duas cartas para ajudá-lo em sua conduta diante dos problemas enfrentados. Em sua primeira carta, Paulo exorta Timóteo a conservar a pureza da doutrina e se contrapor aos falsos mestres que surgiram naquele lugar. Em sua segunda carta, o apóstolo Paulo reitera que Timóteo zele pela sã doutrina, oferta-lhe encorajamento em seu ministério, e roga-lhe que vá ter com ele depressa, uma vez que o tempo do seu martírio era chegado e ele, que tinha grande afeição por seu “amado filho”, encontrava-se sozinho, abandonado por muitos dos que andavam consigo (cf. II Tm. 4.6-18). Assim sendo, II Timóteo foi a última carta escrita pelo Apóstolo Paulo. Diante de tudo isto, Paulo ofereceu direcionamentos ao jovem Timóteo e preciosas lições, tanto para ele, como para nós, hoje, mediante a atuação do Espírito Santo nas Sagradas Escrituras.
Um desses ensinamentos é justamente o título do texto. No capítulo 4 de I Timóteo, Paulo ordena: “Exercita-te a ti mesmo na piedade”. E ele continua: “Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa”. Qual a razão de ser dessa ordem? Paulo está fazendo recomendações a Timóteo a fim de que ele seja um “bom ministro de Cristo Jesus” (vs 6). Ele começa o capítulo tratando acerca da apostasia e da hipocrisia dos que proibiam coisas lícitas criadas por Deus para serem recebidas com ações de graças, como o casamento e alimentos (vs 1-5). Timóteo era um rapaz instruído desde a infância nas Escrituras, além do mais, tinha Paulo como seu instrutor (creio que só os discípulos tiveram um professor melhor: o próprio Deus!). Por isso, ele seria um bom ministro de Cristo se expusesse e ensinasse aos irmãos as palavras da fé e da boa doutrina que ele vinha seguindo (vs 6). E Paulo ainda mostrou como ele deveria fazer isso: através do viver piedoso.
Quando fala-se em piedade, as pessoas têm uma ideia de comiseração, compaixão, pena. Mas essa não é a piedade cristã. O grande reformador João Calvino deu bastante ênfase sobre a piedade em seus escritos. Ele definiu da seguinte forma: “A verdadeira piedade consiste em um sentimento sincero que ama a Deus como Pai, ao mesmo tempo em que o teme e o reverencia como Senhor, aceita a sua justiça e teme ofendê-lo mais do que teme a morte”. Comentando esse assunto, Joel Beeke escreveu: “Para Calvino, piedade designa uma atitude própria para com Deus e obediência a Ele. Emanando do conhecimento de quem Deus é (teologia), a piedade inclui adoração sincera, fé salvadora, temor filial, submissão e amor reverente.”¹ A piedade é tão somente tributar a Deus a glória que lhe pertence. Dando uma moral aos presbiterianos, lemos no Breve Catecismo de Westminster que o fim principal do homem é glorificar a Deus, esse é o alvo da piedade, e nós o glorificamos cumprindo a sua própria vontade revelada nas Escrituras. Por isso, apesar de muitos, imprudentemente, afirmarem o contrário, o estudo da teologia é extremamente importante para o crescimento na piedade. Beeke afirma que o homem piedoso anseia por conhecer mais a Deus (teologia) e ter mais comunhão com ele; seu mais profundo interesse é Deus mesmo e as coisas de Deus.
Voltando ao texto de Timóteo, Paulo compara o exercício da piedade com o exercício físico (vs. 8). Este é útil para algo; aquele, para tudo é benéfico. Wilian Hendriksen explica essa passagem: O exercício físico, “no melhor dos casos, promove a saúde, o vigor, a beleza física. Estas coisas são maravilhosas e devem ser apreciadas”, a piedade, porém, “promove a vida eterna”. Ele continua, “a esfera em que  exercício físico é de proveito é muito mais restrita do que aquela em que a vida eterna concede sua recompensa”². Outra coisa que podemos depreender do texto é que a piedade é um exercício. Da mesma forma que progredimos em santificação, progredimos também em piedade, e podemos utilizar os meios de graça nesse crescimento, tais como: (a)oração: por meio dela somos levados a nos submetermos totalmente à vontade de Deus, expressando nossa total dependência à Ele, lançado sobre si todas as nossas ansiedades e confiando que ele tem o melhor para seus filhos e que podemos descansar nEle. (b) leitura bíblica: como já falado, através das sagradas letras e de sua obediência, discernimos qual a vontade de Deus e o que Ele requer de nós. Calvino disse que a Escritura é Deus falando conosco como um pai fala com seus filhos. (c) comunhão dos santos: Para Beeke, o progresso na piedade não é possível sem a igreja, pois ela [a piedade] é nutrida pela comunhão dos santos. Calvino fala que, sob a liderança de Cristo, os crentes amam e cuidam uns dos outros, apegando-se na distribuição mútua dos dons. Todas essas, além de outras, são formas do cristão progredir em piedade. No final do versículo 8, Paulo explica porque a piedade para tudo é benéfica: “pois tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser”.
Diante de tudo isto, meus irmãos, persigamos a piedade como fim principal em nossa vida, sabendo que ela para tudo é proveitosa. Dessa forma, Timóteo deveria ensinar ao povo e, assim, ele seria um bom ministro do evangelho. Dessa forma, também, nós, poderemos ser testemunhas de Cristo, anunciando sua glória. Que o Soli Deo Gloria seja não apenas um princípio, mas um desejo em nossos corações. Que sejamos, realmente, jovens piedosos. Para variar, terminemos com um comentário de Calvino sobre a passagem em estudo: “Você fará algo de grade valor se, com todo o seu zelo e habilidade, se dedicar unicamente à piedade. A piedade é o começo, o meio e o fim do viver cristão. Onde ela é completa, não há falta de nada… A conclusão é que devemos concentrar-nos, exclusivamente, na piedade, pois, uma vez que a tenhamos atingido, Deus não exige de nós qualquer outra coisa”.
Em Cristo,

Gustavo Buriti.

Via: https://cristaoscontraomundo.wordpress.com

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Meu alvo é Cristo! - Hebreus 12:1-3



Qual é o alvo de sua vida? Quais são os seus objetivos? O que você tem planejado para os próximos anos? Tudo o que você conquistou na sua relação com a Santa Trindade, com sua família, com a igreja, com a sociedade, já é o suficiente? Como viver tendo Cristo como alvo? Como podemos identificar se Jesus esta sendo mesmo aquele em que esperamos? Pela graça de Deus, e o Espírito Santo iluminador, veremos nas Santas Escrituras, alguns detalhes que identificam Cristo como o alvo (objetivo) de nossas vidas.

Primeiro detalhe é: Ter Cristo como alvo nos motiva a rever nossas atitudes.Portanto, também nós, rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, depois de eliminar tudo que nos impede de prosseguir e o pecado que nos assedia, corramos com perseverança a corrida que nos está proposta... (Hb 12.1).

Imagine comigo um estádio de futebol que receberá uma partida muito importante (deixo os times com vocês). Jogadores empolgados e preparados para entrar e jogar em campo, mas o que faz a diferença e os ajuda a vencer é ter uma torcida inflamada e apaixonada pelo clube. Essa imagem de um importante jogo com uma torcida apaixonada pelo time, pode nos ajudar a entender a frase que dá início ao versículo 1: Portanto, também nós, rodeados de tão grande nuvem de testemunhas...
Essas testemunhas aqui descritas são os heróis da fé do capítulo 11 de Hebreus. Seus testemunhos nos ajudam a caminhar na vida cristã e vencer os desafios. É como se estivessem nos assistindo e nos apoiando nos desafios da vida. Como um estudioso da Bíblia conclui: “Os heróis do passado agora são considerados espectadores, ao passo que os cristãos estão na arena”[1].
 “Em Hb 12:1, lemos ainda: ... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta. Esse texto mostra a vida cristã com uma corrida rumo à pátria celestial. A palavracorramos (gr. trechomen2) traz a ideia de um constante esforço para se chegar ao objetivo final. Por isso, essa corrida é feita com perseverança (ou paciência) (gr. hupomones3), que, aqui, nos remete a caminhar com esperança. O cristão não está caminhando para o nada: está indo para o céu.
            O atleta segue na corrida e o cristão persevera. Para isso, precisa deixar todo peso que o detém e o pecado que o envolve (Hb 12:1). O teólogo Wiley, nos ajuda a entender o significado de deixar o peso: ‘... tem o sentido de desfazer-se de coisas supérfluas, (...) o excesso de vestimenta que impeça o progresso do corredor’. Assim, devemos tirar tudo que impede a nossa caminhada”[2]. O evangelho nos chama a repensarmos como temos caminhado.
            A nossa natureza pecaminosa sempre insistirá para que saiamos do caminho. De tempos em tempos somos arrastados na mente e nos sentimentos a nos distanciarmos de Deus: desejos pelo sexo ilícito, fofoca, adultério, avareza (ou seja ser “mão de vaca”) estão entre os desejos para sairmos da graça. Mas em Cristo, com  o seu poder em nós colocado, com mudanças de hábitos (deixar as práticas erradas e fazer boas coisas), podemos vencer aquilo que nos deixa distantes de Deus e correr nossa carreira, viver a vida de uma maneira cristã!
Segundo detalhe é: Ter Cristo como alvo nos motiva a olharmos para ele
...fixando os olhos em Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o qual, por causa da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da vergonha que sofreu, e está assentado à direita do trono de Deus (v.2).

Olhando para Jesus “(aphorao) significa considerar atentamente: observar.”[3]   “o Nome Jesus enfatiza sua humanidade: o mais brilhante exemplo da humanidade[4]”. E significa mais: “(...) tirar a vista das coisas que estão perto e desviam a nossa atenção e, conscientemente, fixar em Jesus como nosso grande alvo”[5]. Jesus é nosso padrão de vida. Em sua obediência a Deus, o seu Pai. Em sua submissão ao Espírito Santo. Em sua vida diária com seus pais e familiares. Em sua luta para que as pessoas se arrependessem dos seus pecados e vivessem o reino de Deus, que ele inaugurou.
Quando Jesus faz parte de nossa vida, por meio de um relacionamento que temos com ele por meio do Espírito, reconhecemos ele como sendo aquele que caminhou nesta terra e completou a obra que estava em suas mãos. Ele é “autor”? Isso quer dizer: “Aquele que faz um princípio, isto é, um autor, uma fonte, uma causa de algo”[6] e “consumador” da fé é: “Alguém que completa, aperfeiçoa, particularmente aquele que alcança um objetivo, como para ganhar um prêmio”[7].  Jesus completou a obra que o Pai lhe designara na terra. “(...) Jesus colocou a base (da fé) em nosso coração e com o tempo leva a fé a uma realização”[8].
Cristo é um exemplo de superação. Suportou a Cruz por ser a vontade do Pai. Devemos imitar seu comportamento, a forma como viveu: “a Paixão é vista como parte do caminho ao trono. (...) a cruz é imediatamente ligada à glorificação. Nunca é vista como um fim em si mesma, porque, neste caso, sugeriria uma tragédia ao invés de triunfo”[9]. Durante o caminho não se distraia com outras coisas, foque em Cristo, pois nele temos certeza que concretizaremos nossa caminhada.
Em  Fp 1:6 encontramos essa certeza: E estou certo disto: aquele que começou a boa obra em vós irá aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus. Em tudo que fazemos: na faculdade, na escola, no seminário, em casa, com os amigos, nos momentos de lazer, não podemos desviar nossa atenção de nosso Senhor. Andando em seu caminho sabemos que: ...Deus faz com que todas as coisas concorram para o bem daqueles que o amam, dos que são chamados segundo o seu propósito  (Rm 8:28).
Assim como Jesus não desistiu de sua obra na terra e concretizou a sua tarefa, nós também, olhando para ele, ou seja, imitando-o em seu comportamento, devemos prosseguir na fé que Jesus depositou em nosso coração: Por isso não nos desanimamos. Ainda que o nosso exterior esteja se desgastando, o nosso interior está sendo renovado todos os dias (2 Co 4:16). Assim como estar ao lado de Deus motivou a vitória de Jesus para enfrentar a cruz, possibilitando nosso acesso a essa presença junto ao Pai, devemos vencer, concluir nossa trajetória, levando a cruz que o Nazareno nos deu, ou seja, testemunhando por meio de palavras e ações, que ele é Salvador e Senhor. Para também desfrutarmos com outros tantos irmãos a gloriosa presença de Deus (1 Ts 4.17).
Terceiro detalhe é: Ter Cristo como alvo nos motiva a firmar nossa confiança em sua obra.
Assim, considerai aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis e fiqueis desanimados (v.3).

A partir do v.,3, o autor de Hebreus (que eu não sei quem foi), nos fala sobre a prática de meditar a vida terrena de Jesus. Ele usa a palavra “considerai”: “(analogisasthe). Nos papiros esta palavra é usada no sentido matemático de ‘tirar a soma’(...) e claramente subentende uma avaliação cuidadosa”[10]. Segundo um estudioso da Bíblia quando o autor diz para considerarmos cuidadosamente a vida de Nosso Senhor, ele está dizendo: “(...) para compararem a própria vida com a vida de Jesus e tomarem nota cuidadosamente de tudo que Jesus suportou”[11].
Não podemos acusar Jesus de que ele não saiu de sua “zona de conforto”, pois pela Bíblia, Nosso Senhor desceu até nós para se identificar com nossos sofrimentos, limitações (Fp 2). Jesus sabe o que é ser pobre (não tinha onde reclinar a cabeça); sabe o que é sede; sabe o que é ser desprezado por familiares; sabe o que é ser abandonado por gente de longe e de perto; nosso Salvador se identifica conosco: Pois, na verdade, ele não auxilia os anjos, mas sim a descendência de Abraão (Hb 2.16). Portanto, pensemos em nossos sofrimentos e lutas, tendo a esperança de que o Nazareno está conosco.
            Muitas vezes estamos cansados, sobrecarregados, pela vida que levamos. Um alerta é dado aos crentes de Roma, quando se usa A expressão “canseis” no texto, ela significa:“Originalmente, estar cansado do trabalho constante”[12]. Gutrhie diz que: “Quando o cristão entende que Jesus enfrentou o ódio dos homens pecaminosos por causa do crente, ele deve ter coragem. Assim seus próprios problemas se tornam mais fáceis de suportar (...)”[13]. Por isso devemos fixar nossa atenção em Jesus[14].
O sofrimento de Nosso Senhor nos ajuda a mantermos de pé: Jesus sofreu oposição e isso nos trás ânimo, visto que ele não desistiu da obra do Pai, um exemplo para nós. Não desanime, pois Ele nos dá condições de ir até o fim da caminhada. Se a perseguição for em casa porque você se rendeu a Cristo, Jesus disse que viria para trazer divisão (Lc 12:51-53); se sua perseguição é no trabalho, na escola, na sua rua por ser você um servo de Jesus lembre-se:Basta ao discípulo ser como seu mestre; e ao servo, como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos de sua família? (Mt 10:25).
Mantenhamos nossa confiança em Jesus. As afrontas por ele sofridas nos ensinam a esperar em Deus nosso Pai. Sua postura diante dos ataques a sua pessoa, nos ensinam a viver em esperança diante dos desafios impostos pela vida. Seus protestos contra a religião fria e falsa, e contra os pecados do governantes da época nos ensinam a sermos uma voz equilibrada do reino de Deus nesta terra. Apesar da oposição olhemos para o Nazareno. Vamos ler Is. 53, para contemplarmos a proximidade de Cristo com nossos sofrimentos.
            Este trecho da Escritura (Hb 12:1-3) nos trouxe três detalhes para que Cristo seja de fato o alvo, ou o objetivo maior de nossas vidas: rever nossas atitudes, olharmos para Jesus e firmarmos nossa confiança em sua obra. Muitas perguntas foram respondidas mas talvez possamos ter outras dúvidas. Se você tem a certeza de que Jesus já esta sendo seu alvo, glorifique a Deus e continue fazendo dele o objetivo principal de toda a sua existência, em todas as áreas de sua vida. Se pelo contrário, você ficou envergonhado por ver o quanto está afastado de Jesus, pode crer numa verdade: Deus está perto de nós. Busque a ele de todo o coração. Que Jesus seja nosso Alvo principal.


[1] Guthrie, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1984, p.232.
[2] Lições bíblicas da IAP. Salvos pela graça. São Paulo: 2012, 4º trim.
[3] Bíblia palavras chave hebraico/grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p. 2105.
[4] Guthrie, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1984, p.234.
[5] Wiley, H. Orton. A excelência da aliança em Cristo. Rio de janeiro: Central Gospel, 2008, p.508.
[6] Idem, p.2095.
[7] Idem, p.5051.
[8]Kistemarker, Simon. Comentário do N. T.: Hebreus. São Paulo: Cultura cristã, 2003, p.518.
[9] Guthrie, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1984,p.235.
[10] Idem, p.235.
[11] Kistemarker, Simon. Comentário do N. T.: Hebreus. São Paulo: Cultura cristã, 2003, p.517, 518.
[12] Idem.
[13] Kistemarker, Simon. Comentário do N. T.: Hebreus. São Paulo: Cultura cristã, 2003, p.518.
[14] Guthrie, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1984,p.235.

Via
http://andreicssoares.blogspot.com.br/

sábado, 30 de janeiro de 2016

Jesus, o modelo a ser seguido



January 24, 2016
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Sem. Wesley Correa
“Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11.1).


É comum as pessoas imitarem seus “ídolos” terrenos. Na maneira de se vestir, no corte de cabelo, nas roupas que eles usam, e até mesmo no comportamento.

Porém, o apóstolo Paulo chama à igreja a responsabilidade de imitar a ele mesmo, porque ele era um imitador de Cristo. A implicação disso está no fato do cristianismo não ser uma religião de ouvintes, mas é uma religião prática que produz imitadores de Jesus. Isso corresponde a compreender Jesus como aquele que é o modelo a ser seguido, aquele que é o líder da caminhada, que é o Senhor.

Jesus é um modelo a ser seguido e não somente apreciado. Muitas pessoas são encantadas com Jesus sem segui-lo. Muitos admiram a pessoa de Jesus, porém não estão dispostas a seguir seus ensinamentos.  (Hb 12.2) diz o seguinte: “olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus”. Todos os dias temos que olhar para Ele. Ser como Ele é e fazer o que Ele fez. Paulo imitava ao Senhor Jesus Cristo.

Um discípulo de Cristo é alguém que o tem como modelo. Isso significa ser cristão. Em (Gn 17.1) está escrito: “...Eu sou o Deus todo-poderoso; anda na minha presença e sê perfeito”. Andar com Deus é muito mais do que pertencer a uma religião, é muito mais do que ser um santarrão, do que ser um Presbiteriano ou um Batista, mas é caminhar com o Senhor Jesus Cristo. O propósito de Deus é nos vincular a Cristo e nos tornar semelhantes a Ele. Isso está muito claro em (Rm 8.29) “Porquanto aos que antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho”.

Ninguém se torna um cristão simplesmente porque se declara um cristão, mas sim, porque se torna um imitador de Jesus.

Via: Site da Igreja Presbiteriana De Vila Nova

O caráter cristão

Posted by João Rodrigo Weronka in Cosmovisão | REFLEXÕES TEOLÓGICAS | VIDA CRISTÃ
Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. [Efésios 4.12-13]

 

Introdução
Vivemos numa época em que os valores estão sendo descartados dia-a-dia. A sociedade tem andado num ritmo acelerado de inversão de valores a ponto de não nos espantarmos mais com a infinidade de absurdos que nos são comunicados.
O mundo tenta impor, através de uma diversos meios, que Deus, a família, a igreja, o bom caráter e a moral não são relevantes ou necessários. Nesta sociedade relativista, o valor absoluto das coisas se perdeu, e cada qual cria seu próprio mundo, sua própria cosmovisão. Desta forma, os valores que o cristianismo apregoa são considerados por muitos como falidos e ultrapassados.
Valores estranhos que outrora não faziam parte da realidade da igreja passam a ser tolerados. A igreja que antes era caracterizada por andar na contramão dos valores materialistas tem se deixado levar por modismos e novidades que passam a moldar seu “novo” jeito de ser. Neste ritmo, já não podemos brilhar como luz do mundo e nem temperar como sal da terra. Neste ritmo, a moral e o bom caráter não têm um valor tão intenso como deveria ter. Não importa se a igreja faz a diferença no meio em que está inserida, em sua comunidade, mas o que importa é ser numérica, mesmo que não tenha qualidade.
O objetivo com este estudo é definir e apresentar uma proposta para trazer para a aplicação pessoal a essência do caráter cristão, entendendo como ele é formado, quais são seus valores, suas virtudes. Veremos como isso faz toda diferença.

Definição
Segundo o Dicionário Aurélio, caráter é definido por: “qualidade inerente a uma pessoa, animal ou coisa; o que os distingue de outra pessoa, animal ou coisa; o conjunto dos traços particulares, o modo de ser de um indivíduo, ou de um grupo; índole, natureza, temperamento”.
O significado literal do termo grego charaktēr é “estampa”, “impressão”, “gravação”, “sinal”, “marca” ou “reprodução exata”.
Caráter é algo que vai sendo formado e impresso com o tempo em nosso interior, uma verdadeira marca. O caráter de cada qual não é formado do dia para noite. É um processo gradual que está relacionado a um amplo conjunto de fatores que influenciam na formação de cada um.
Meios como TV, internet, família, religião, infância, desprazeres, decepções, alegrias, enfim, uma gama variada de fatores influencia na formação do caráter de cada indivíduo. Desde o berço.

O caráter cristão – formação, influências e virtudes
Assim como o caráter de cada indivíduo é formado desde o berço, nosso caráter cristão também passa a ser moldado desde o primeiro passo de nossa caminhada com Cristo (Jo 1.12; 3.3). Os valores do Reino de Deus passam a ser impressos em nós, para que verdadeiramente possamos ser seguidores de Jesus Cristo genuinamente.
Deus usa de muitos meios e formas para que o caráter de seus filhos seja formado, mas sem dúvida alguma, o principal fator de influência é o agir da Palavra dEle na vida de cada um, bem como o consolo e direção que o Espírito Santo dá aos Seus (Ef 1.13). Afinal, o que pode ser considerado como um caráter cristão? Podemos relacionar alguns pontos, que evidentemente, não serão os únicos:
1) Não se trata apenas de bons valores morais | Apesar do cristianismo carregar implicitamente um forte viés moral – pois a Bíblia nos dá parâmetros morais – o caráter cristão não está repousando apenas sobre o fato de ser “bom”. A boa moral está contida, mas de modo algum é o todo. Cada um de nós pode dar exemplos de pessoas que confessam ser cristãs, mas que não são bons exemplos de conduta digna, bem como pessoas não-cristãs que são cidadãos de bem.
2) O cristão genuinamente bíblico admite suas falhas | Cada um de nós, sem exceção, é um pecador (Rm 3.23). Todos temos o pecado dentro de nós, e isso produz limitações e consequentemente falhas. A virtude do cristão de caráter é ser transparente, é ter dignidade suficiente para admitir que é limitado e que depende completamente da misericórdia e graça do Senhor.
3) O caráter moldado cria controle | Quando nosso caráter entra em fase de maturidade, conseguiremos controlar situações que de algum modo podem manchar a marca de Jesus em nós, afetando nosso testemunho cristão. Neste ponto de plenitude, não haverá espaço para amargura, ira, discórdia, egoísmo, arrogância, discussões, facções. Apesar de – eventualmente – tais coisas ocorrerem, precisam ser enfrentadas e enfraquecidas. Nosso ser por completo, mente, atitude, palavras, precisa ser um meio de culto e adoração permanente (Mc 12.30; Gl 5.22).
Com tal caráter formado em nós, passaremos a frutificar em atitudes que atestam que somos de Deus e temos Sua Palavra em nossas vidas. Passamosa frutificar em virtudes, como: 
  • Pureza | vida separada – santificação – para o Senhor. Uma vida distinta num mundo corrupto (Fp 4.8).
  • Imparcialidade | trataremos a todos – seja quem for – de modo único, sem acepção de pessoas. Seremos justos com as pessoas, independente de afinidade, sejam amigos, parentes, irmãos, parceiros de caminhada (1Ts 5.15).
  • Sem fingimento | é prezar pela verdade. Não existe espaço para máscaras e ânimo duplo (1Pe 2.1; Tg 4.8).
  • Humildade | ninguém é auto-suficiente. Vaidade e soberba não devem encontrar espaço no coração do cristão; tais coisas devem ser banidas de nosso meio! Somos um corpo e dependemos uns dos outros (Mt 5.3).
  • Mansidão | serenidade. Ser manso, não permitindo que disputas e discórdias tomem conta. Gentil, sensível e paciente com todos (Mt 5.5).
  • Misericórdia | compaixão pela dor, “pela miséria do coração” alheio. Entender que nosso próximo pode passar por lutas, dores, infelicidades extremas. Experimentar e participar do sofrimento alheio (Mt 5.7)
  • Coração puro | ser livre de impurezas no altar – no coração. Relacionamento constante com Deus e com a Sua presença, nos limpando genuinamente daquilo que nos separa dEle (Mt 5.8).

O modelo supremo de caráter – fonte de inspiração
Nosso modelo supremo de formação de caráter é nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Ele deve ser nosso alvo, razão, adoração, modelo, tudo! Afirmar que somos cristãos é carregar nos ombros a responsabilidade de sermos seguidores e praticantes dos ensinos do Mestre.
Ter um modelo é fundamental na formação do caráter, e para formação do caráter cristão, o modelo do Senhor nos leva a amá-Lo, admirá-Lo, imitá-Lo, segui-Lo. Ele nos faz, dia-a-dia ver que podemos aplicar, viver e frutificar em tudo que vimos acima.
Que possamos afirmar, assim como Paulo que somos imitadores de Jesus (1Co 11.1). Para tal, devemos:
– Conhecer o Filho de Deus | Buscar estar em pura intimidade com o mestre e o auxílio do Consolador (Ef 4.13; Jo 15.5; 26-27; 1Jo 1.1-3). O testemunho da Palavra e do Espírito Santo nos levam a conhecer e ter intimidade com Ele.
– Submeter-se ao senhorio de Jesus | Rm 10.8-9 – estar submetido completamente ao governo e autoridade de Cristo sobre nós. Não basta reconhecer e ter Jesus como Salvador, mas sim estar submisso a Seu senhorio.
– Obediência irrestrita | A época em que vivemos tem ressaltado cada vez mais que o ser humano vive em rebeldia contra Deus e Sua Palavra. Jesus nos mostrou que a obediência ao Pai deve ser praticada (Fp 2.8).
– Negar a si mesmo | Matar nossa carne e viver para ele; o negar a si mesmo é um verdadeiro atestado de compromisso com o Reino. Jesus serviu e não foi servido. Adoramos ao Senhor de modo especial quando estamos negando ao nosso ego e mortificando nossa vontade, deixando que Ele viva em nós (Gl 2.20).
Que possamos caminhar moldando nosso caráter de glória em glória (2Co 3.18) e que isso seja como aroma suave subindo à presença de Deus. Um verdadeiro meio de adoração!
Via:Napec Apologética Cristã