sábado, 16 de janeiro de 2016

Como Identificar uma Seita
por
Bíblia de Apologética


Não poderíamos identificar um movimento heterodoxo se não conhecêssemos seus estigmas. É de suma importância o princípio pelo qual nós confrontamo-las com a palavra de Deus. Somente assim, nós podemos identificá-las por suas marcas. Uma seita se revela como tal por apresentar certas características em relação às verdades bíblicas. Eis alguns sintomas que caracterizam o quadro doentio das seitas.

Autoridade extra-bíblica.
Geralmente as seitas apresentam uma nova autoridade doutrinal, superior ou paralela à Bíblia sagrada para sua fé e prática. Esta autoridade pode apresentar-se em forma de livros ou revelações ou até mesmo na pessoa do líder da seita. Alguns poucos exemplos clássicos são: As Testemunhas de Jeová, os Mórmons, os Adventistas do Sétimo Dia, a Igreja da Unificação, Igreja Católica Romana entre outros.

Verdades que vão além da Palavra de Deus.
Há necessidade entre esses grupos de irem além do que está escrito nas sagradas escrituras, buscando novas revelações. Essas “novas verdades” no entanto, acabam por se chocar frontalmente com a palavra escrita de Deus e às vezes com suas próprias revelações. Casos típicos são os do profeta do mormonismo Joseph Smith, Sun Myung Moon, Charles T. Russel e outros. Para eles o evangelho precisa ser completado com suas revelações místicas que somente eles possuem e mais ninguém.

Interpretações Particulares da Bíblia.
Há muitos grupos que não reivindicam novas verdades, mas interpretam as verdades bíblicas ao seu bel prazer. Para esses, a Bíblia lhes pertencem e ninguém pode entendê-la fora do padrão estabelecido pela seita. Muitos dessa categoria apóia-se em algumas passagens da Bíblia apenas por conveniência pois é mais fácil enganar um indivíduo que já está familiarizado ainda que nominalmente com este livro. É o caso do Espiritismo e da igreja Católica Romana.

Rejeição ao Cristianismo Ortodoxo ou as Igrejas Estabelecidas.
Esses grupos nutrem verdadeiro ódio contra as igrejas estabelecidas que pregam o conceito histórico-ortodoxo de crença. O argumento quase unânime entre elas é que as igrejas se afastaram das verdades essenciais e se enveredaram para práticas pagãs. Essas seitas atacam como ensinamento pagão às doutrinas da Trindade, a imortalidade da alma e o inferno.

Pregam um outro Jesus.
O Jesus das seitas nunca é o mesmo Jesus da Bíblia. Para as seitas Jesus foi diversas coisas, mas nunca jamais o Deus encarnado que veio redimir o homem. Assim para as Testemunhas de Jeová Jesus é apenas uma criatura, um deus menor, para os mórmons Jesus é apenas um dos trilhões de deuses, foi casado e polígamo, já para os espíritas Jesus foi apenas o maior espírito de luz que já baixou nessa terra.

Lavagem Cerebral.
As seitas retiram o censo crítico de seus adeptos não permitindo que eles pensem por si mesmos deixando que o líder ou o grupo pensem por eles. As técnicas são variadas, mas sempre persuasivas indo das cessões de isolamento da família até jejuns forçados sem tempo de descanso, sendo que neste ínterim é o membro do grupo bombardeado com literaturas da seita, estudos e mais estudos até a exaustão psicológica. É o caso do reverendo Moon, Hare Khrisna, Testemunhas de Jeová e outros.

Salvação pelas Obras
O estado legalista das seitas impedem-nas de aceitarem a livre graça de Deus. Como o âmago da seita é a heresia e toda heresia é obra da carne, sendo produto do homem sem o verdadeiro Deus, as seitas desenvolveram sua própria maneira de salvação. Oferecem uma falsa esperança aos seus adeptos que nunca sabem o quanto fizeram para merecerem a benevolência de um deus, cujo conceito forjado pela seita, foge radicalmente do apresentado na Bíblia. Para o adepto só existem leis a serem cumpridas seja elas de procedência bíblica ou mesmo criadas pela organização da qual pertencem. Podemos enquadrar aqui os Adventistas, mórmons, Testemunhas de Jeová, Espiritismo, Catolicismo etc.


Exclusivismo.
Apesar da Bíblia ensinar que a salvação e a verdade só se encontram em Jesus, as seitas invertem essa verdade e apregoam que somente sua organização é a única correta tendo todas as demais apostatado da fé. É o monopólio da fé e da verdade. Para a pessoa ser salvo é preciso pertencer ao grupo.

Semântica Enganosa.
As seitas a fim de enganarem as pessoas, usam uma terminologia cristã, mas que na prática se revela totalmente falsa. Dizem crer nos mesmos pontos de fé dos cristãos ortodoxos apenas para uma aproximação pacífica visando sempre o proselitismo desleal. No entanto um exame mais atento, porém, revela que esta igualdade é apenas aparente e nominal. As Testemunhas de Jeová dizem acreditar no Espírito Santo, mas para elas esse Espírito não é o mesmo do credo cristão, sendo apenas (na concepção delas) uma mera força ativa. Os mórmons Dizem crer na trindade, mas a Trindade que eles pregam são três deuses que possuem um corpo de carne e osso.

Falsas Profecias.
Nas seitas existem-nas em abundância. Para conseguirem impressionar seus membros, os líderes de seitas dizem receber supostas revelações de Deus sobre certos acontecimentos históricos - mundiais, escatológicos ou envolvendo o próprio grupo, que com o passar dos anos, se revelam fraudulentos provando ser o tal profeta um falso profeta. São o caso dos líderes dos Adventistas, Testemunhas de Jeová e Mórmons.

Mudanças de Crenças.
As seitas possuem uma teologia volúvel. O que era verdade ontem já não é hoje. Com o passar dos anos as inconsistências das aberrações doutrinarias apregoadas por elas se tornam um tanto obsoletas entrando muitas vezes em contradição com os ensinamentos atuais de seus líderes, ai então, faz-se necessário o camaleão mudar de cor. Algumas até colocaram em seu bojo doutrinário o ensinamento de que é normalmente aceitável que sua teologia esteja em constante mutação, é o caso dos mórmons e das Testemunhas de Jeová. Os jargões geralmente empregados para justificarem isto são: "lampejos de luz" (TJ), "verdade presente" (ASD), "nova luz" (SUD). As características principais de uma seita foram expostas e resumidas acima, mas há ainda a questão financeira, o carisma do líder, ensinos sobre a Trindade dentre outras que por questão de espaço não colocamos aqui. Entretanto, estas servem para identificarmos eficazmente uma seita.


Fonte: Extraído da Bíblia Apologética.

Nossa missão como soldados é destruir idéias falsas – John MacArthurEsta não é, de modo algum, a primeira vez que a guerra pela verdade se introduziu na igreja. Isso tem acontecido em todas as principais épocas da história da igreja. Batalhas pela verdade têm rugido na comunidade cristã desde os tempos dos apóstolos, quando a igreja estava apenas começando. Na realidade, o relato das Escrituras indica que os falsos mestres na igreja logo se tornaram um problema significativo e amplamente difundido aonde quer que o evangelho chegasse. Quase todas as principais epístolas do Novo Testamento abordam esse problema, de uma maneira ou de outra. O apóstolo Paulo estava sempre envolvido numa batalha contra as mentiras dos "falsos apóstolos, obreiros fraudulentos", que se transformavam em apóstolos de Cristo (2 Coríntios 11.13). Paulo disse que isso era de se esperar. Afinal de contas, essa é uma das estratégias prediletas do Maligno: "E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformam em ministros de justiça" (w. 14-15).
Seria uma ingenuidade deliberada negar que isso pode acontecer em nossos tempos. De fato, isso está acontecendo em grande escala. O tempo presente não é favorável a que os cristãos flertem com o espírito da época. Não podemos ser apáticos quanto à verdade que Deus nos confiou. Nosso dever é guarda-la, proclamá-la e transmiti-la à geração seguinte (1 Timóteo 6.20-21). Nós, que amamos a Cristo e cremos na verdade incorporada nos ensinos dEle, precisamos ter plena consciência da re-alidade da batalha que ruge em nosso redor. Devemos cumprir nosso papel na guerra pela verdade, que já dura muitas eras. Temos a obrigação sagrada de participar da batalha e lutar pela fé.
Em sentido restrito, a idéia motriz por detrás do movimento da Igreja Emergente está correta: o clima atual do pós-modernismo representa realmente uma vitrine maravilhosa de oportunidades para a igreja de Jesus Cristo. A arrogância que dominava a era moderna está em suas agonias de morte. O mundo, na sua maior parte, foi apanhado em desilusão e confusão. As pessoas se sentem inseguras a respeito de quase tudo e não sabem que rumo tomar em busca da verdade.
Entretanto, a pior estratégia para ministrar o evangelho num clima assim é os cristãos imitarem a incerteza ou ecoarem o cinismo da perspectiva pós-moderna — e arrastarem a Bíblia e o evangelho para dentro dessa perspectiva. Em vez disso, precisamos afirmar, de modo contrário ao espírito desta época, que Deus falou com a maior clareza e autoridade, de modo definitivo, através de seu Filho (Hebreus 1.1-2). E temos, nas Escrituras, o registro infalível dessa mensagem (2 Pedro 1.19-21).O pós-modernismo é simplesmente a expressão mais atual da incredulidade mundana. Seu valor essencial — uma ambivalência dúbia para com a verdade — não passa de ceticismo destilado em sua essência pura. No pós-modernismo, não existe nada virtuoso nem genuinamente humilde. Ele é uma rebelião arrogante contra a revelação divina.
De fato, a hesitação do pós-modernismo no tocante à verdade é a antítese exata da confiança ousada que, segundo as Escrituras, é o direito de família de todo crente (Efésios 3.12). Essa segurança é operada pelo próprio Espírito de Deus naqueles que crêem (1 Tes-salonicenses 1.5). Precisamos valorizar essa segurança e não temer confrontar o mundo com ela.
A mensagem do evangelho, em todos os fatos que a constituem, é uma proclamação clara, específica, confiante e autorizada de que Jesus é Senhor e de que Ele dá vida eterna e abundante a todos os que crêem. Nós, que conhecemos verdadeiramente a Cristo e recebemos aquela dádiva da vida eterna, também recebemos da parte dEle uma comissão clara e específica de transmitir com ousadia a mensagem do evangelho, como embaixadores dEle. Se não demonstrarmos igualmente clareza e nitidez em nossa proclamação da mensagem, não seremos bons embaixadores.
Mas não somos meros embaixadores. Somos, ao mesmo tempo, soldados comissionados a guerrear em favor da defesa e disseminação da verdade, face aos ataques constantes contra a verdade. Somos embaixadores com uma mensagem de boas-novas para as pessoas que andam em trevas e vivem na região da sombra da morte (Isaías 9.2). E somos soldados — com ordens para destruir fortalezas ideológicas e derrubar as mentiras e enganos engendrados pelas forças do mal (2 Coríntios 10.3-5; 2 Timóteo 2.2-4).
Observe atentamente: nossa tarefa como embaixadores é levar as boas-novas às pessoas. Nossa missão como soldados é destruir idéias falsas. Devemos manter esses objetivos no seu devido lugar; não temos o direito de declarar guerra contra as próprias pessoas, nem de entrar em relacionamentos diplomáticos com idéias anti-cristãs. Nossa guerra não é contra a carne e o sangue (Efésios 6.12); nosso dever como embaixadores não nos permite transigir com qualquer tipo de filosofia humana, engano religioso ou outro tipo de mentira nem a nos alinhar com alguma delas (Colossenses 2.8).
Se parece difícil manter essas duas tarefas em equilíbrio e na pers-pectiva adequada, isso acontece porque elas são realmente difíceis.
Judas certamente entendeu isso. O Espírito Santo o inspirou a escrever a sua breve epístola a pessoas que estavam lutando com essas mesmas questões. Contudo, ele as exortou a batalharem diligentemente pela fé, contra toda falsidade, ao mesmo tempo que faziam tudo que lhes era possível para livrarem almas da destruição: arrebatando-as "do fogo... detestando até a roupa contaminada pela carne" (Judas 23).
Somos, portanto, embaixadores e soldados; procuramos alcançar os pecadores com a verdade, ao mesmo tempo que envidamos todos os esforços para destruir as mentiras e outras formas de mal que os mantêm na escravidão mortífera. Esse é um resumo perfeito do dever de todo cristão na guerra pela verdade.
Martinho Lutero, aquele nobre soldado do evangelho, lançou este desafio diante dos cristãos de todas as gerações que o sucederam, ao dizer:
Se, com a voz mais elevada e a exposição mais nítida, eu professar toda porção da verdade de Deus, mas não confessar exatamente o pormenor que o mundo e o Diabo estão atacando naquele momento, não estou confessando a Cristo, ainda que esteja professando-0 com ousadia. Onde a batalha ruge, ali é provada a lealdade do soldado. E ficar firme em todos os demais pontos do campo de batalha é mera fuga e vergonha, se o soldado falhar naquele pormenor.
Via:O Calvinismo

sábado, 9 de janeiro de 2016

Deus escolheu alguns porque previu a fé neles?



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A teologia arminiana afirma que Deus escolheu os que seriam salvos com base em sua presciência. Segundo essa concepção, Deus olhou para o futuro e viu os homens que creriam, elegendo-os então. Isso levanta a seguinte pergunta: Quem fixou o futuro para o qual Deus olhou? Se foi ele mesmo (e ao crente não resta outra opção), por que teve que consultá-lo? E mais: Se foi o próprio Deus quem estabeleceu o futuro no qual poderia ver de antemão quem creria, isso não equivale a dizer que ele próprio estabeleceu quem creria? Ora, é exatamente isso o que os calvinistas afirmam. Então, por que não concordar com eles de uma vez? Dentro ainda dessa discussão, deve-se considerar que a Bíblia diz que a fé é dom de Deus (Ef 2.8 [o "isto" mencionado nesse versículo se refere ao processo todo que abrange a fé]; Fl 1.29; Hb 12.2). Se é, pois, o Senhor quem concede a fé, por que ele teria que “descobrir” quem creria e, então, escolhê-los?

A posição arminiana, contudo, nesse aspecto, não enfrenta dificuldades apenas por causa da falta de lógica em seus argumentos. A ideia de que Deus elege com base no que antevê também encontra problemas teológicos insolúveis. Por exemplo: se Deus escolhe o homem baseando-se em algum bem visto nele previamente, então a graça de Deus desaparece para dar lugar a uma forma disfarçada de retribuição. Com efeito, se a visão arminiana estivesse correta, a eleição divina deixaria de ser gratuita e incondicional, tornando-se a recompensa dada por Deus àqueles em quem anteviu algo que o agradou, a saber, a fé resultante do uso adequado da graça preveniente. No arminianismo, portanto, a gratuidade da eleição é demolida e, em seu lugar, é edificada uma escolha divina meritória. No fim das contas, o homem é salvo porque Deus o considera digno disso, ao descobrir previamente que ele, de si mesmo e por si mesmo, fará bom uso da graça capacitadora dada a todos.

Ora, o Novo Testamento não dá margem alguma para essa hipótese. De fato, Paulo ensina que a graça de Deus não procura homens dignos, mas sim cria homens dignos (Cl 1.12). A triste realidade é que se Deus procurasse homens dignos para então escolhê-los, ninguém seria salvo. Aliás, a beleza, infinitude e magnificência da graça de Deus é percebida precisamente no fato dele ter escolhido homens que mereciam somente a sua ira (Ef 2.3), pessoas em quem o Senhor não viu virtude alguma, mas sim pecado, maldade, rebelião e ódio contra ele (Rm 5.6-10).

Contrariando o ensino arminiano, o Novo Testamento também realça que a eleição não é a recompensa da fé, mas sim a sua causa (2Ts 2.13), de modo que o indivíduo não é eleito porque vai crer, mas sim vai crer porque é eleito. Realmente, o texto sagrado sempre coloca a eleição como a razão da fé e não o contrário. A escolha de Deus não depende, assim, da fé prevista. É a fé que depende da escolha prévia. É por isso que em Atos 13.48, Lucas afirma que entre os gentios que ouviam a pregação de Paulo em Antioquia da Pisídia, “creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna”. Na dinâmica da frase de Lucas, a eleição é a causa, não o efeito da fé.

Como então lidar com Romanos 8.29 e 1 Pedro 1.2? Uma análise simples mostrará que esses textos, na verdade, não amparam em nada a concepção arminiana. Considere-se, a princípio, a frase, “aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou” encontrada em Romanos 8.29. Será que essa frase corrobora mesmo a tese de que Deus primeiro anteviu quais pessoas creriam e então as predestinou para a salvação? De modo nenhum! Para descobrir o verdadeiro significado da expressão “conheceu de antemão” basta observar a sua única outra ocorrência nos escritos de Paulo.

Essa expressão é, na verdade, a tradução do verbo grego proginósko e é usada outra vez pelo apóstolo somente em Romanos 11.2, onde escreve sobre Israel: “Deus não rejeitou o seu povo, o qual de antemão conheceu”. Ora, é evidente que aqui, conhecer de antemão não significa prever a fé, uma vez que Israel nunca creu na mensagem de Deus (At 7.51-53). Resta, pois, somente um sentido possível para a fórmula sob análise, a saber: Deus conheceu de antemão a quem mostraria seu favor. Esse é, portanto o modo como Romanos 8.29 deve ser entendido. Não se trata de Deus saber previamente quem creria, mas sim de Deus saber previamente a quem favoreceria. Esse entendimento, aliás, se harmoniza plenamente com outras passagens do Novo Testamento onde ser conhecido por Deus significa ser alvo do seu favor (1Co 8.3; Gl 4.9; 2Tm 2.19). Aliás, Em 1Pedro 1.20, existe a evidência de que o verbo proginósko também pode significar “fazer algo a fim de assegurar que um evento realmente ocorra”. Esse sentido também corrobora a tese defendida aqui (Veja-se ARICHEA, D. C.; NIDA, E. A. A handbook on the first letter from Peter. UBS handbook series. Helps for translators (42). New York: United Bible Societies, 1994.).

É assim também que o texto de Pedro deve ser interpretado na parte que diz: “escolhidos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai”. Note-se que nesse versículo, Pedro usa a preposição grega katá, traduzida como “de acordo com”, indicando que a escolha de Deus foi feita conforme ele sabia previamente que iria fazer. É, portanto, como se Pedro dissesse: “Vocês foram escolhidos conforme Deus Pai havia previsto que vocês seriam”. Ora, isso indica que Deus não escolheu os crentes porque anteviu a fé neles, mas sim porque sabia previamente a quem mostraria favor.

 Na verdade, se Pedro quisesse indicar que Deus escolheu porque anteviu a fé, como ensinam os arminianos, ele certamente usaria a preposição diá, extremamente comum na língua grega e cujo significado, quando usada com o modo acusativo (como é o caso em 1Pe 1.2) é “por causa de”. A tradução, então, ficaria assim: “Vocês foram escolhidos por causa do pré-conhecimento de Deus Pai”. Isso sim indicaria que Deus previu a fé e, por causa disso, teria escolhido alguns. Porém, não é esse o caso aqui, de modo que a Bíblia permanece silente no tocante a qualquer suposta eleição divina alicerçada numa fé prevista.

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Autor: Pr. Marcos Granconato
Fonte: Perfil do autor no Facebook
Via Bereianos

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O perigo da Seitas


O meu intuito nessa pequena e breve reflexão não é desfazer amizades não, não é isso, mas simplesmente dizer que  o verdadeiro Cristão não comunga de outra fé a não ser aquele de que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador da vida dele. Em nossos tempos houve uma proliferação de grandes seitas ditas ‘’cristãs’’ que se autodenominam detentoras da absoluta verdade. Nós sabemos e conhecemos quem são elas, bem articuladas, bem educados tudo lindo e perfeito más um detalhe que sempre me chamou a atenção nessas seitas e foi justamente isso que eu percebi  ao  estuda-las um pouco a fundo e conhecer suas raízes, de onde realmente se originaram, é importante lembrar que todas elas tiveram uma espécie de revelação pessoal, onde seus lideres tiveram uma suposta revelação de Jesus Cristo e também  vale ressaltar a importância de estudar a escrituras, olha o que o Apóstolo Paulo em sua cartas aos Galátas. Gálatas1.8 ‘’Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!’’. Ora irmãos, o fato deles serem aparentemente bonzinhos e nocivos por fora o seu interior é repleto de erros e enganos, seus ensinos seus deturpados e contraditórios. Algumas dicas que podem te fazer reconhecer uma seita: (1)A centralidade de Jesus Cristo, pergunte á eles quem foi o Senhor Jesus Cristo, geralmente as seitas reduzem a pessoa de Cristo o tornando em apenas mais um deus, um homem que trouxe bons exemplos ou apenas mais um profeta negando sua plena Divindade e sua plena humanidade. Alguns ensinos realmente não passam pelo crivo das Escrituras(2) Suficiência das Escrituras, algumas seitas ou todas elas usam outros livros como base ou como suporte para Bíblia, o verdadeiro Cristão sabe que a palavra de Deus é inerrante e é autoridade suprema. A audácia e petulância é tão grande que eles acham que a palavra de Deus precisa de um auxílio  pra ser válida.(3)A salvação pelas obras, não pense  você que quando eles evangelizam o fazem por amor, não, eles não fazem por amor, eles atribuem isso porque se não de fato não serão salvos, algumas seitas tem em suas instituições anotações com os dados de seus fieis dizendo que quanto mais eles evangelizam mais eles crescem dentro da organização e são reconhecido pelos membros como o tal, coitado daquele que não consegue evangelizar muitos  acabam ficando excluído de todos, gente isso é opressão e no reino de Deus não existe isso, somos chamados sim a evangelizar e  é um mandamento do Senhor e cabe nós fazermos isso, é preciso notar e considerar que nem todos tem o chamado missionário,  um irmão por exemplo  vive na África ou no Oriente Médio lugares os regimes totalitários impedem a entrada do evangelho nem todos querem ou nem todos tem essa vocação. Você pode ser um missionário em sua casa na sua família começando por eles, pode ser um missionário junto aos seus vizinhos, na sua escola ou  em sua faculdade.
(4) São totalmente exclusivistas no sentido de salvação, quando lemos as histórias dessas seitas  logo de cara reconhecemos que eles são as únicas igrejas ‘’verdadeiras’’  e que não há salvação fora das suas religiões dizendo eles que Deus vai salvar apenas o corpo na qual eles fazem parte, que imaginação deturpada.
(5)  Exclusivistas, como foi dito na introdução, apenas á eles que Deus se revelou, no sentido de manifestação trazendo um nova mensagem, ou seja, que todo o Cristianismo histórico não faz mais sentido e que apenas eles detêm todo a verdade e todo o conhecimento, falácia.
Meus irmãos, é preciso conhecer a palavra de Deus, estuda-la e também conhecer alguns grupos que nos cercam, eles estão  espalhados por toda parte, parecem educados e são bem educados e gentis mas por dentro encontramos seus erros ao adentrarmos mais profundamente nos ensinos centrais da fé Cristã.
‘’Se alguém chega a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem.
Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas.’’
2 João 10,11

Parecem duras né as palavras do apóstolo João, mas é exatamente dessa forma que precisamos agir em casos assim, uma pessoa que não conhece a palavra de Deus de forma correta, que não ora e não busca o  conhecimento fica vulnerável e propenso ao erro dessas seitas, é importante notarmos que essa epístola do Apóstolo João foi escrita para pessoas crentes, irmãos é preciso resistir extremamente a esses erros ditos acima, o cristão precisa permanecer na doutrina de Cristo a qual os chamou. João consiste em recordar seus leitores daquilo que já possuem, Cristo Jesus como sendo Deus e Salvador, meu irmão, que Deus possa te ajudar, te orientar e te despertar também para o estudo da palavra dEle, é muito importante conhecer nosso Senhor, conhecer algumas seitas ditas ‘’cristãs’’
Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém.
2 Pedro 3:18

Que possamos crescer sempre em humildade e amor, se opor ao erro é um dever nosso, o lema da Reforma protestante foi ‘’SolaScriptura’’ ou sementes as Escrituras, numa época de trevas onde a tradição dos romanos falavam mais alto e a palavra de Deus foi deixado de lado, Deus levantou homens fortes e corajosos que lutaram pra colocar a palavra a disposição do seu povo, muitos deles foram mortos por lutar pela verdade suprema revelado nas Escrituras. Crescer é um ato gracioso da parte de Deus, crescer no conhecimento de Deus é maravilhoso, quanto mais crescemos temos a noção de quão sujos no pecado nós somos e quão bem articulados e bem trabalhado por satanás são essas seitas, meus irmãos, amor e verdade sempre andaram juntas na palavra de Deus, você pode até ser amigo de um membro dessa seita e o intuito deste breve estudo não é desfazer amizades, pelo contrário é te mostrar a realidade dos fatos e ao mesmo tempo te  encorajar a buscar esse irmão em amor e verdade, mostrando ele verdadeiramente o evangelho de Jesus Cristo, um evangelho libertador, transformador e Poderoso.
 A palavra de Deus é rica, existem outros inúmeros textos que podem ser usados esses serviram apenas de reflexão, pra que você possa pensar, analisar e buscar realmente estudar doutrinas de verdade descrita nas Escrituras.

Maxon Nogueira
SoliDeoGloria

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A Igreja Católica Romana nos deu a nossa Bíblia?


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É comum católicos romanos dizerem que foi a sua igreja que nos deu a Bíblia. Eles muitas vezes dizem isso quando estão defendendo a sua "sagrada tradição", de forma que eles possam defender doutrinas não bíblicas, como purgatório, penitências, indulgências, e adoração a Maria. Eles, com frequência, dizem que a única forma que a igreja cristã teve para saber quais livros seria incluídos no Cânon das Escrituras foi através do boca-a-boca da igreja primitiva; ou seja, pela tradição da Igreja Católica.


Infelizmente, esse argumento implica em dizer que a tradição é superior às Escrituras. Note que não estamos dizendo que a Igreja Católica Romana ensina que tradição é maior do que as Escrituras. Mas quando alguém diz que a Sagrada Tradição foi a forma pela qual as Escrituras foram dadas, então claramente isso quer dizer que a Tradição abençoou e aprovou a Bíblia. Hebreus 7:7 diz, "Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior." Ao dizer que a tradição católica que nos deu a Bíblia, criamos um efeito psicológico infeliz: elevamos a tradição a um nível superior do que é permitido nas Escrituras. Na verdade, a Bíblia diz o contrário:

"Ora, irmãos, estas coisas eu as apliquei figuradamente a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, de modo que nenhum de vós se ensoberbeça a favor de um contra outro." (1 Co 4:6)

A Bíblia nos diz para obedecer a Palavra de Deus, para não ir além do que está escrito, para que não erremos a respeito da verdade. O problema com o status elevado que a Igreja Católica dá à Tradição é que esse status resulta em justificações de várias doutrinas não bíblicas, como rezar para Maria, purgatório, indulgências, obras de justiça, etc. Tendo se desviado das Escrituras, a igreja se aventurou em áreas não-bíblicas. De qualquer forma, a Igreja Católica Romana nos deu a Bíblia? Não.

Em primeiro lugar, a Igreja Católica Romana não existia de fato como organização nos primeiros dois séculos da Igreja Cristã. A igreja cristã estava sob perseguição, e encontros de igreja oficiais eram bem arriscados no Império Romano. Catolicismo, como organização cuja figura central está localizada em Roma, demorou a acontecer, apesar de católicos dizerem que o primeiro papa foi Pedro.

Em segundo lugar, a Igreja Cristã reconheceu o que era parte das Escrituras. A Igreja não o estabeleceu. Isso é uma diferença muito importante. A Igreja Cristã reconhece o que Deus inspirou, e pronuncia esse reconhecimento. Em outras palavras, a Igreja somente descobre o que já era autêntico. Jesus disse "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;" (Jo 10:27). A igreja ouve a voz de Cristo. Só isso, ela reconhece o que é inspirado e segue a Palavra. A igreja não adiciona nada à Palavra, como a Igreja Católica Romana fez. Logo, a Igreja Católica Romana não está seguindo a voz de Cristo.

Em terceiro lugar, a Igreja Católica Romana não nos deu o Velho Testamento, que é a parte das Escrituras que Cristo e os apóstolos citaram e usaram. Se a Igreja Católica quer dizer que nos deu a Bíblia, como eles podem dizer que nos deram o Velho Testamento, que é parte da Bíblia? Eles não o fizeram, obviamente. O fato é que os verdadeiros seguidores de Deus reconhecem o que é ou não inspirado. Os judeus sabiam o que era inspirado por Deus, e eles reconheciam o que Deus havia inspirado. É isso que aqueles que pertencem a Deus fazem.

Quarto, quando os apóstolos escreveram os documentos do Novo Testamento, eles foram inspirados pelo poder do Espírito Santo. Não havia discussão a respeito se os documentos eram ou não autênticos. O que eles escreveram não precisava ser considerado digno de inclusão no Cânon das Escrituras por um grupo de homens na Igreja Católica Romana. Na verdade, pensar isso é, em efeito, usurpar o poder natural, e a autoridade do próprio Deus em relação ao Cânon.

Por fim, as Escrituras dizem, "sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo." (1 Pedro 1:20-21). A Bíblia nos diz que as Escrituras são inspiradas pelo Espírito Santo. Logo, a própria natureza desses documentos inspirados é o que carrega o poder e a autenticidade dos mesmos. A eles não são dados poder e autenticidade através de declarações eclesiásticas.

Conclusão

A Igreja Cristã meramente reconhece a Palavra de Deus (Jo 10:27). A autenticidade dos documentos do Novo Testamento vem da inspiração de Deus, através dos apóstolos, ao invés de vir da declaração da Igreja Católica. Isso é muito importante. A Igreja Cristã reconhece o que Deus ordenou que estivesse na Palavra de Deus através da sua inspiração soberana. Quando a Igreja Católica se coloca como a fonte das Sagradas Escrituras, ela está, na verdade, se colocando acima da própria palavra de Deus, alegando que através da sua autoridade recebemos a Bíblia, o que é antibiblico. 

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Autor: Matt Slick
Fonte: CARM - Christian Apologetics & Research Ministry
Tradução: Equipe CARM
Divulgação: Bereianos

Características de uma igreja que agrada a Deus


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Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá: Conheço as tuas obras -- eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar -- que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei. Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra. Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 3.7-13)

A cidade - Filadélfia foi fundada pelo rei de Pérgamo, Átalos, cerca de 140 a.C. Este foi conhecido por sua lealdade ao seu irmão, dando assim origem ao nome da cidade (Filadélfia significa “amor fraternal”). A região produzia uvas, e o povo especialmente honrava a Dionísio, o deus grego do vinho. Localizava-se num vale no caminho entre Pérgamo e Laodicéia. Filadélfia foi destruída por um terremoto em 17 d.C. e reconstruída pelo imperador Tibério. Entre outros nomes que recebeu, devido ao governo romano, Durante o reinado de Vespasiano, foi também chamada de Flávia (nome de sua mulher). Hoje, Filadélfia corresponde à cidade turca de Alasehir, situada a 130km ao leste de Esmirna.

A igreja - Somente em Apocalipse (1.11; 3.7) faz referência a Filadélfia. Das sete igrejas do Apocalipse, as quais Jesus diz a João para enviar cartas (cf Ap 2 -3), esta igreja e a igreja de Esmirna não receberam nenhuma crítica de Cristo. Em toda carta Jesus não expressa nenhuma palavra de reprovação, mas de encorajamento.

Jesus se apresenta a essa igreja como “Santo e verdadeiro” (v.7). Ele tem os mesmos atributos do Pai. Assim Cristo declara sua divindade como Deus. É aquele que tem a “chave de Davi” (v.7b) - Jesus não é só fiel a sua Palavra, ele também tem o poder de abrir e fechar a cidade de “Jerusalém”: “Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará, e ninguém abrirá.” (Is 22.22). Qual Jerusalém? “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.” (Ap 21.2). Só Jesus abre as portas do Reino de Deus!

A igreja de Filadélfia se tornou um exemplo de igreja fiel e agradável a Deus. Vejamos algumas características que nos ensinam a agradar a Deus:

A IGREJA QUE AGRADA A DEUS É UMA IGREJA QUE OBEDECE AO SENHOR JESUS (V. 8)  

Por ser obediente, a igreja recebe bênçãos (v.8) -  “conheço as tuas obras” - Jesus está totalmente familiarizado com as obras dos crentes de Filadélfia e não precisa de uma lista delas (cf Ap 2.2; 19; 3.15) – Jesus sabe tudo o que acontece na Sua igreja. “Tenho posto diante de ti uma porta aberta” e ninguém poderia fechar essa porta (cf v.8) - Jesus tem a chave da cidade de Davi, assim aquele que é fiel ao Senhor tem uma porta aberta. Eles deveriam obedecer sem medo, pois Jesus mesmo é quem tinha plantado aquela igreja para levar a Sua salvação aos gentios (cf At 14.27). Aquele campo era uma porta aberta que ninguém poderia fechar! Deus é soberano na obra da salvação.

Essa igreja era obediente porque guardava a Palavra de Cristo (v.8b) – “guardaste a minha palavra” - Um reflexo do que disse o salmista: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” (Sl 119.11). A Bíblia linguagem viva traduz: “tem procurado obedecer”. Mesmo sendo fraca numericamente (cf v.8c), ela era forte. A visão hoje de uma igreja forte é aquela que está abarrotada de gente. Aquela que você tem que chegar mais cedo para não ficar sem lugar de sentar-se. É aquela que tem o melhor cantor gospel. É aquela onde o pastor tira do espectador maior número de oferta. É aquela que destaca somente as bênçãos de Deus. Não quero dizer que uma igreja deva ser pequena e conformada. Não! Ela deve crescer, mas jamais sobre outro fundamento. Deve crescer obedecendo a Deus! Procurando andar nos caminhos do Senhor.

Em Filadélfia havia uma igreja pequena, mas fiel ao Senhor. Poderiam até pensar: “nós não somos nada”! Mas Jesus a conhecia e a amava muito. Quer ser uma igreja que agrada a Deus? Obedeça a Sua Palavra.

Outra característica :

A IGREJA QUE AGRADA A DEUS É UMA IGREJA QUE HONRA O NOME DE CRISTO (V.8B-9)
     
Não negaste o meu nome (v.8b) – A igreja estava em meio a falsos religiosos, que o Senhor chama de “sinagoga de satanás”. Estes eram judeus que haviam rejeitado a mensagem referente à vida do Messias (cf Ap 2.9). Eram mentirosos enganadores. Embora confessassem adorar a Deus, sua oposição aos cristãos mostrava que, na verdade, estavam servindo a satanás. Porém, em meio à perseguição, os crentes de Filadélfia não negaram a Jesus. Naquela cidade o nome de Cristo era glorificado.

A recompensa por honrarem a Cristo (v.9b) – Os falsos judeus reconheceriam que Jesus amava aqueles que eram desprezados: “eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.” Em vez de os judeus serem honrados (cf Is 49.23), Jesus prediz que honrará os seus fiéis seguidores e comprovará que Ele realmente os ama. Isso significa que as promessas de Deus a Israel agora foram transferidas para os seguidores de Jesus. O Senhor Jesus demonstra Seu amor aos crentes de Filadélfia, dizendo que mesmo os judeus opositores confessarão que Ele os ama. Aquela igreja era a menina de Seus olhos (cf Sl 17.7cf Is 43.4). Assim era alvo do cuidado do Senhor.

O amor de Cristo por nós existe antes mesmo de nós nascemos. Esse amor é sem dúvida algo que não se pode expressar completamente com palavras.

A igreja não pode negar o Senhor Jesus com suas palavras ou atitudes. Deve engrandecer o Seu nome, e honrá-lO a cada instante. Com palavras e atitudes deve mostrar que Cristo é o Seu Senhor. 

Quero considerar uma última característica:

A IGREJA QUE AGRADA A DEUS É UMA IGREJA QUE PERSEVERA NA FÉ (V.10-11)

Guardaste a palavra da minha perseverança (v.10a) – Ou “Obedece com perseverança” (B. ling. Viva) – Eles perseveravam inabaláveis, seguiam o exemplo da igreja de Atos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At. 2.42). Embora houvesse ali na cidade “os falsos judeus”, isso não abalava a fé que estava firme no Senhor Jesus. Estes irmãos receberiam de Deus a recompensa:

Eu te guardarei da hora da provação (v.10b) – São as tribulações que a humanidade sofreu, sofre e sofrerá por causa do pecado (cf Ap. 7.1-4). Na visão de João lemos: “Vi outro anjo que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo, e clamou em grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar, dizendo: Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus.” (Ap 7.2-3). Na oração de Jesus vemos essa verdade: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.” (João 17.15). Jesus promete guardar o fiel nas tribulações e para sempre. Assim vemos o quanto vale ser fiel à Cristo e Sua Palavra.

O Senhor diz a igreja: “Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (v.11) – Essa igreja deveria ficar fiel até o fim. Hoje nos encontramos em meio a tantas “teologias” que na verdade, afastam o homem de Deus. Ensinos equivocados sobre Deus e Sua salvação tem feito muitos não perseverarem na fé. A igreja em Filadélfia permanecia firme na sã doutrina (cf 2Tm 4.3; Tt 2.1). Essa doutrina é a fé que uma vez por todas foi entregue a nós (cf Jd 3). É todo o ensino de Cristo, sem maquiagem. 

Conclusão: A igreja que agrada a Deus obedece a Ele, honra o nome de Cristo, pois sabe que esse nome está acima de que qualquer outro nome (cf At.4.12), e persevera na fé cristã. Qual será a nossa recompensa se tivermos essas características:

No presente:

1 - Ver o inimigo ser derrotado e pessoas convertendo a Deus (v.9);

2 - Ser guardado da tribulação do mundo (v.10).

No futuro:

1 - Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus (v.12) – Filadélfia tinha sido atingida por terremotos. Essa expressão tornava a promessa de segurança e estabilidade mais apropriada. Mas a expressão “santuário” ou “templo” deve ser interpretada figurativamente. Deus tenciona honrar seu povo em sua presença secreta (cf Richard H. Wilkinson). Não haverá outro templo em Jerusalém como acredita alguns, esse verso nos mostra que haverá uma indivisível união entre nós e Deus. É a característica da Nova Jerusalém: “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.” (Ap.21.22). Os santos serão honrados no templo celestial, que na verdade é a presença de Deus.

Daí jamais sairá (v.12) – Devido aos terremotos frequentes, os cidadãos de Filadélfia preferiam viver do lado de fora dos muros da cidade, em campo aberto. Tais pessoas viviam toda sua vida com medo de catástrofes naturais; em contraste, os filhos de Deus habitarão eternamente em segurança em Sua presença (cf Ap 21.3).

2- Gravarei também sobre ele o nome do meu Deus (v.12b) – Isso significa que a igreja com essas características pertence e pertencerá a Deus e Cristo para sempre. Esses nomes lhes servem de passaporte de ingresso à presença de Deus e como sinal da cidadania da Jerusalém que desce do céu (cf Ap. 21.1-2). O Senhor promete que habitaremos eternamente no seu santuário, se permanecermos fieis em seus caminhos.

Que sejamos a cada dia uma igreja fiel. Que possamos honrar o Senhor Jesus e agradá-lO para sempre! Lembre-se: você é a igreja de Cristo. Por isso: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (v.13)

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Autor: Rev. Ronaldo P. Mendes
Fonte: Solus Christus

Via Bereianos

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

A Importância da Segurança da Fé


Joel Beeke24 de Agosto de 2009 - Crescimento
A segurança da fé é a convicção de pertencer a Cristo por meio da fé e desfrutar a salvação eterna. Aquele que tem essa segurança não somente crê na justiça de Cristo para a sua salvação, mas também sabe que crê e que é amado graciosamente por Deus.
Essa segurança é ampla em seu escopo. Inclui liberdade da culpa do pecado, alegria no relacionamento com o Deus trino e um senso de pertencer à família de Deus. James W. Alexander disse que a segurança “leva consigo a idéia de plenitude, tal como uma árvore carregada de frutos ou como as velas de um navio enchidas por ventos favoráveis”.
A segurança é conhecida por seus frutos, tais como a comunhão íntima com Deus, a obediência submissa, sede de Deus e anelo por glorificá-lo, cumprindo a Grande Comissão. A segurança prevê, em oração, o avivamento, mantendo-se submissa à esperança escatológica. Os crentes que têm essa segurança vêem o céu como o seu lar, anseiam pela segunda vinda de Cristo e pela trasladação à glória (2 Tm 4.6-8).
A segurança sempre foi um assunto vital. Sua importância é mais crucial agora porque vivemos em dias de segurança mínima. E, o que é pior, muitos não compreendem isso. O desejo de comunhão com Deus, o anseio pela glória de Deus e pelo céu e a intercessão em favor de avivamento parecem lânguidos. Isso acontece quando a ênfase da igreja na felicidade terrena sobrepuja a convicção de que ela está peregrinando neste mundo em direção a Deus e à glória.
A necessidade de uma doutrina de segurança alicerçada nas Escrituras é fortalecida pela ênfase da cultura nos sentimentos. A maneira como sentimos as coisas toma geralmente a precedência em relação ao que sabemos e cremos. Essa atitude infiltrou-se na igreja. O crescimento extraordinário do movimento carismático pode ser atribuído, em parte, a um cristianismo formal e sem vida, pois o movimento carismático oferece aos seus adeptos emoção e estímulos para encherem o vazio criado pela falta de verdadeira segurança da fé, bem como pela ausência de seus frutos. Hoje, necessitamos desesperadamente do pensar doutrinário acompanhado do viver santificado e vibrante.
Este artigo trata de questões, dificuldades e assuntos associados à segurança da fé. Consideremos cinco razões importante por que devemos crescer nesta segurança.
Integridade de Fé e Vida
Nosso entendimento da segurança da fé determina a integridade de nossa compreensão a respeito da vida espiritual. Podemos estar certos em muitas áreas e incorretos em nosso entendimento desta doutrina fundamental das Escrituras.
Muitos pensam erroneamente que são cristãos. Tememos que inúmeras pessoas que se consideram cristãs despertarão no inferno, em horror eterno.
O problema envolvido no “crer fácil” é que as pessoas não examinam se a sua fé é genuína e está bem fundamentada. Esse erro talvez seja mais bem designado como a “segurança fácil” e não o “crer fácil”. Eles reivindicam a segurança sem possuírem um fundamento para ela. Erros a respeito de como uma pessoa chega à segurança da fé podem conduzir facilmente a uma segurança falsa. Um entendimento correto da segurança da fé nos ajuda a evitar essa presunção.
Um ponto de vista errado a respeito da segurança pode impedir-nos de ter segurança, quando deveríamos tê-la. Alguns filhos de Deus verdadeiros não crêem que são filhos de Deus. Aceitam um tipo de “crer difícil”, procurando evidências pelas quais não têm o direito de esperar. Pode haver evidência firme e bíblica de que eles são filhos de Deus, mas não estão satisfeitos com isso. Eles mesmos são o maior obstáculo na obtenção da segurança. Um entendimento correto da segurança da fé também é importante nesse caso.
Aqueles que têm uma compreensão apropriada da segurança evitarão tanto o crer fácil como o crer difícil. A segurança não será um benefício automático. Eles não se tornarão seguros de sua fé sem uma evidência de fé sólida e bíblica operando em sua vida. Ficarão cientes do perigo do crer fácil e examinarão regularmente seus coração e vida à luz da Palavra de Deus. Por outro lado, eles reconhecerão em sua vida a evidência do novo nascimento e perceberão a sua presença. Quando sentirem anseio genuíno por Deus e ódio pelo pecado, reconhecerão essas coisas como obra do Espírito Santo e serão consolados por elas. Não desprezarão as dias das coisas humildes. Sem esses dias, poucos filhos de Deus ficarão seguros quanto à sua fé.
Paz com Deus
A segurança é inseparável da paz e do consolo do evangelho. A segurança de que somos nascidos de Deus é necessária, se temos de experimentar paz, amor e alegria. Experimentar verdadeira paz e alegria no Senhor enriquece grandemente a nossa vida, enquanto estamos neste mundo. Essa é uma das razões por que Thomas Brooks intitulou de Heaven and Earth (Céu e Terra) o seu livro sobre a segurança da fé. A segurança está relacionada com a paz e a alegria do evangelho e precisa ser cultivada.
Como cristãos, devemos desejar esses dons, porque somos exibições do evangelho. Filipenses 2.15 nos ensina: “Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo”. Manter uma atmosfera de paz e alegria é uma das maneiras pelas quais o crente pode resplandecer como luz neste mundo perverso. Que tipo de idéias o mundo nutre a respeito de Deus, se o povo de Deus não mostra que servir ao Senhor é algo maravilhoso? Que tipo de afirmação fazemos a respeito de Deus, se as pessoas não podem detectar em nós a paz e a alegria tranqüilas que nos distinguem?
Isso não significa que os cristãos não terão tempos de tristeza por causa do pecado, dificuldades e dúvidas. Mas as Escrituras são bastante claras em dizer que os cristãos procuram normalmente exibir paz e alegria no Senhor. Para fazermos isso, precisamos estar seguros de nossa fé.
Serviço cristão
Um cristão seguro é um cristão ativo. Paulo disse aos cristãos de Tessalônica: “O nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção” (1 Ts 1.5). O evangelho foi abençoado em Tessalônica de modo que houve muita convicção. E Paulo acrescentou: “De sorte que vos tornastes o modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia. Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma” (vv. 7-8). Quão admirável! Aqueles cristãos, recém-convertidos, repercutiram a Palavra de Deus; ou seja, eles evangelizaram. Assim, quando Paulo chegou à região deles, descobriu que a Palavra de Deus já estava ali. Essas pessoas se mostraram zelosas por Deus, porque estavam seguras de sua salvação.
Um cristão que não possui segurança raramente se interessa por boas obras. Em vez disso, seu vigor espiritual é consumido em questionar se é salvo ou não. Quando essa dúvida não é resolvida, a pessoa fica incerta quanto a ajudar os outros no serviço do Senhor. Como o disse J. C. Ryle: “O crente ao qual falta uma firme esperança passa grande parte do seu tempo sondando o próprio coração acerca de seu próprio estado de alma. Tal como uma pessoa nervosa e hipocondríaca, ele encherá a cabeça com as suas próprias indisposições, com as suas próprias dúvidas e perguntas, com seus próprios conflitos e corrupções. Em suma, tal crente ficará com freqüência tão absorvido com seus conflitos íntimos que pouco tempo lhe restará para outras coisas e para trabalhar para Deus” (“Segurança”, em Santidade sem a qual Ninguém Verá o Senhor, Editora Fiel, 2009, p. 159).
Ás vezes, pensamos que nosso propósito aqui na terra é somente achar a salvação; uma vez que somos salvos, temos pouco a fazer até chegarmos ao céu. A conversão é vista como um fim em si mesmo. Mas isso não é verdade. Somos convertidos para cumprir um propósito: servir a Deus no mundo. 1 Pedro 2.9 nos diz por que Deus resolveu converter pessoas: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Deus nos converte para que proclamemos as suas virtudes. Somos convertidos para servir a Deus e ao nosso próximo. Se nos falta segurança, nosso servir a Deus não será entusiasta.
Comunhão com Deus
A segurança é valiosa porque enriquece a nossa comunhão com Deus. Como uma pessoa pode ter comunhão íntima com Deus, se teme que Deus está irado? Quão difícil seria termos comunhão com um filho que está sempre com medo de nós. O filho nunca fica tranqüilo e jamais aceita nossas expressões de amor. Nessa atmosfera, um relacionamento íntimo é impossível.
Por contraste, considere a segurança implícita no Cântico dos Cânticos, quando a noiva disse: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”. Aqui há comunhão, interação, um relacionamento caloroso e digno, amor e confiança, por parte da noiva, no fato de que o amor é mútuo. Esse é o tipo de comunhão que o Senhor deseja ter com seu povo. Ele descreve freqüentemente seu relacionamento com eles em termos que implicam intimidade: Pai e filhos, Esposo e esposa, Noivo e noiva, Cabeça e corpo. O Senhor usa o mais íntimo dos relacionamentos da vida para descrever o relacionamento que deseja ter com seu povo. É óbvio que a segurança é necessária para desenvolvermos esse tipo de relacionamento.
Santidade ao Senhor
Finalmente, a segurança é crucial porque torna o cristão mais santo. Falando sobre a segurança que resulta do conhecimento de que somos filhos do Pai, João disse: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1 Jo 3.3).
A segurança que não conduz a um viver mais santo é falsa. Aquele que tem a segurança bem fundamentada, que experimenta paz e alegria, que se ocupa com a obra do Senhor e vive em comunhão íntima com Deus é uma pessoa santa. Um crente não pode persistir nos altos níveis de segurança enquanto persiste em baixos níveis de santidade.
A segurança nos traz a um contato íntimo com o poder de Deus. Quando desfrutamos de um relacionamento de confiança com Deus e descansamos em sua misericórdia e graça, nossos corações são inflamados pelo amor a Deus. Esse amor nos dá poder para um viver santo. Quanto mais íntimos somos de Deus, tanto mais amor teremos por ele e tanto mais pura será a nossa vida. Uma pessoa santa é motivada por amor a Deus, por causa de Cristo. O amor de Cristo constrange o homem santo (2 Co 5.14).
Assim você pode perceber quão importante é este assunto da segurança. É possível alguém ser salvo e não ter segurança. Contudo, é quase impossível alguém ser um cristão sadio se não possui a segurança da fé. Você pode objetar: as Escrituras não afirmam que Deus tem interesse especial por pecadores necessitados e pobres? Se ele parar de ser pobre e necessitado, há motivo para duvidarmos que a sua segurança está alicerçada em bases sólidas. Cristo tem de crescer, e ele diminuir (Jo 3.30).
O Senhor está perto daqueles que têm um coração quebrantado, um espírito contrito e ainda não têm a segurança da fé. Mas isso não leva a concluir disso que essa seja uma condição desejável. Se somos pobres e necessitados sem a segurança da fé, devemos buscá-la.
Conclusão
A segurança é vital para o nosso bem-estar espiritual. Algumas pessoas acham que segurança indica superficialidade. Aos seus olhos, alguém é considerado suspeito se possui segurança. Na realidade, aqueles que vêem a dúvida como um sinal de profunda experiência religiosa e seguem em direção a Deus e à glória sem a segurança da fé, esses têm apenas um entendimento superficial das Escrituras. Um entendimento mais profundo nos leva a reconhecer a obra do Espírito em nosso coração, a conhecê-la e descansar no Senhor Jesus Cristo, com fé semelhante à de uma criança.

Via Ministério Fiel

Se Jesus foi rico, eu também quero ser!

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Por Ruy Marinho

Escutar de algum pregador que Jesus era rico e, quem segui-lo será próspero financeiramente, soa como uma garantia de ganhar na loteria! Infelizmente, muita gente tem esse conceito como premissa para frequentar uma igreja. Afinal: se Jesus foi rico, eu também quero ser – dizem os seguidores da teologia da prosperidade e confissão positiva! Vejam as declarações feitas por alguns famosos precursores deste movimento, desde os EUA até aqui no Brasil:

“João 19 nos diz que Jesus usava roupas de griffe... A túnica era sem costura, tecida de cima até embaixo. Era o tipo de vestimenta que os reis e os mercadores ricos usavam” (John Avanzini, gravado em 20.1.1991, no programa de Kenneth Copeland). 

“Jesus tinha uma roupa tão bonita, tão cara, que os soldados disputaram para ver quem ficaria com ela. Outra coisa, Jesus era acompanhado por mulheres ricas que o serviam. Ele tinha seus doze discípulos e mais um grupo de 20 a 30 pessoas para alimentar diariamente. Quanto custa isso? A casa de Lázaro e outras residências onde ele se hospedava eram de classe média na época, ou até mesmo média-alta. Portanto, eu não consigo enxergar na Bíblia Jesus como uma pessoa paupérrima. Ele viveu como um rabi, que era um mestre. Eu não vejo Jesus pobre, mas vejo que ele demonstrava no seu estilo de vida excelência, tinha uma vida abençoada – multiplicou pães, proveu boa pescaria aos seus discípulos. Como Senhor e Deus, ele tinha acesso às riquezas.” (Bispo Robson Rodovalho, Revista Eclésia, edição 109)

“Sabe, Jesus e os discípulos nunca andaram num Cadilac. Não havia Cadilac naquela época. Mas Jesus andou num jumento. Era o "Cadilac" da época — o melhor meio de transporte existente.” (Kenneth Hagin, A Autoridade do Crente, p. 48.)

Declarações como estas são muito comuns nos dias de hoje, por conta da propagação da teologia da prosperidade no Brasil. Trata-se de um conceito que foi importado dos EUA, fixado atualmente como um forte pilar das igrejas neopentecostais brasileiras. Porém, como cristãos não deveríamos absorver ensinamentos sem antes analisar biblicamente para ver se, de fato, procedem ou não das Escrituras, o que no caso apresentado leva-nos ao seguinte questionamento: Será que realmente Jesus foi rico? Será que ser rico financeiramente é promessa de Jesus para nós?

De fato, Jesus ensinou princípios “riquíssimos” sobre prosperidade material, vivenciados inclusive em sua própria vida terrena. Porém, biblicamente, veremos que em nada confere com as afirmações dos propagadores da teologia da prosperidade.

Antes de continuar, esclareço que eu não defendo de forma alguma a “teologia da miséria”, creio plenamente que Deus nos sustenta e supre as nossas necessidades, bem como prospera alguns conforme a sua soberana vontade. Porém, entendo que o grande problema é deixar de buscar a Deus pelo que Ele é em troca daquilo que Ele pode nos dar. Portanto, o que vou analisar exclusivamente nesse artigo é a afirmação de que supostamente Jesus era rico e que Ele promete riquezas para os seguidores. Vejamos:

Em primeiro lugar, Jesus era e sempre será rico eternamente em sua posição gloriosa no céu, porém abdicou-se de sua glória celestial e veio à terra viver como um homem de maneira humilde, a fim de sofrer e morrer por nós: “pois conhecereis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.” (2Co 8:9)[1] Ao contrário do que afirmam os defensores da teologia da prosperidade, nessa passagem está claríssimo que Jesus não era rico, o propósito d’Ele era exatamente o contrário. Cristo tornou-se pobre no mundo não para trazer riquezas materiais a humanidade, mas sim a salvação que é a verdadeira riqueza, por consequência a transformação de vida em amor para com o próximo. No contexto de 2Co 8, Paulo utiliza o exemplo da posição de glória que Cristo desfrutava com o Pai e que foi sacrificada por Ele a fim de nos auxiliar (Fp 2:5-8) para mostrar que, da mesma forma, os crentes de Corinto deveriam sacrificar algo para ajudar os irmãos da igreja de Jerusalém. Paulo incentiva-os a ofertar aos irmãos necessitados como um ato cristão de amor e cuidado.

Desde o início da vida terrena de Jesus, o propósito d’Ele de fazer-se humildemente pobre foi manifestado, a começar pelo seu nascimento: “E ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2:7) Em tese, seguindo a lógica da teologia da prosperidade, seria bem mais apropriado que Jesus Cristo tivesse nascido em um palácio, num berço de ouro forrado com tecido fino e vários criados para servi-lo. Porém, Jesus nasceu num estábulo e colocado numa humilde manjedoura para demonstrar desde o início o propósito de ir contra a ganância e as riquezas deste mundo.[2] A Bíblia indica que Maria e José eram pobres, pois quando Maria foi apresentar Jesus no templo, a oferta de sacrifício oferecida (segundo a lei mosaica - Lv 12:8) era oferta de pobre: "e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida lei: Um par de rolas ou dois pombinhos." (Lc 2:24) Isto prova, pelo menos na época do nascimento de Jesus, que José não era financeiramente estável por conta de sua profissão de carpinteiro.

Quando Jesus começou seu ministério terreno, Ele largou tudo o que tinha (família, lar, conforto etc.) para dedicar-se integralmente ao propósito do evangelho. Tudo o que era necessário para o suprimento natural de Jesus foi providenciado pelos próprios discípulos, prova disso é o fato de que algumas mulheres serviram Jesus com seus bens (Lc 8:1-3).
Jesus, conhecendo o coração das pessoas, ao responder alguém que queria segui-lo provavelmente para buscar benefício próprio, disse que "As raposas têm seus covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça".(Lc 9:58) Note que Cristo aborda exatamente a questão “moradia”, uma resposta clara que refuta a afirmação de alguns pregadores da prosperidade de que Jesus possuía uma enorme mansão em Jerusalém.

Na primeira multiplicação de pães e peixes, os discípulos poderiam muito bem sair para comprar os alimentos para o povo, porém os mesmos questionaram Jesus justamente pelo fato de não terem condições para tal feito. Foi necessária a operação de um milagre para alimentá-los (Mc 6:34-44).

Certa ocasião, quando Jesus chegou em Cafarnaum (Mt 17:24-27), ele não tinha dinheiro para efetuar o pagamento do imposto da cidade, sendo necessário operar um milagre através de Pedro para efetuar o pagamento. Ao perguntarem para Jesus se era lícito pagar tributo a César, Jesus respondeu: Por que me experimentais? Trazei-me um denário, para que eu o veja” (Mc 12:14-16). Se Jesus fosse rico, com certeza teria uma moeda no bolso para usar, porém foi necessário alguém trazer uma para que Jesus pudesse vê-la.

A afirmação dos pregadores da prosperidade de que o Jumento que Jesus utilizou para entrar em Jerusalém, era como se fosse um Cadilac ou uma BMW da época, chega a ser ridícula e mostra o despreparo bíblico dos defensores da teologia da prosperidade. Ora, basta uma análise no contexto cultural para perceber que a “BMW” da época na verdade eram as carruagens e os cavalos, e não um jumento! Na Bíblia vemos claramente um exemplo disso: "Eis que um etíope, eunuco, alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu tesouro, que no seu carro, viera adorar em Jerusalém, estava de volta e, assentado no seu carro, vinha lendo o profeta Isaías.” (At 8:27:28) Além disso, o Jumento não era de Jesus, mas emprestado!

Ao contrário do que Rodovalho e John Avanzini afirmam, as roupas de Jesus no geral não eram de rico, pois os soldados tomaram as vestes e "rasgaram-nas em quatro partes" (Jo 19:23-24), somente a túnica (peça íntima que ficava debaixo das vestes) que era algo realmente nobre naquela época, pois não tinha costura e era tecida de cima abaixo. Por isso que os guardas lançaram sortes para ver quem ficaria com a mesma. Provavelmente tal peça pode ter sido doada por algum discípulo. Afinal, tudo ou quase tudo o que Jesus possuía durante o seu ministério era doado pelos discípulos que o acompanhavam, entre os quais alguns financeiramente prósperos, que era o caso das mulheres descritas em Lucas 8:1-3. Outra possibilidade é quando Herodes e seus guardas escarneceram e vestiram Jesus com um "manto aparatoso" (Lc 23:11), para que Jesus fosse enviado à Pilatos enfeitado como um "rei terreno". Vale ressaltar que o próprio túmulo de Jesus foi emprestado (Lc 23:50-53)!

Os pregadores da teologia da prosperidade, tentando contra-argumentar, ainda colocam que os apóstolos eram prósperos financeiramente. Porém, a Bíblia claramente refuta essa ideia. Dentre vários exemplos bíblicos, podemos listar alguns: Quando Pedro e João chegaram à porta do templo, onde um coxo de nascença pediu-lhes uma esmola. Se os apóstolos fossem ricos, com certeza eles teriam dado dinheiro ao pedinte, porém eles afirmaram: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!" (Atos 3:1-8), e o homem foi curado. O apóstolo Paulo passou por muitas necessidades financeiras ( Fp 4.10-20, 2Co 11.27), inclusive tendo que trabalhar fabricando tendas para se sustentar (At 18:3). O mesmo também ensinou a respeito da expectativa de buscar riquezas materiais: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (I Tm 6.8-10)

Como podemos ver, não existe base bíblica para afirmar que Jesus e os apóstolos eram ricos. Na verdade, Cristo nunca defendeu a busca por riquezas materiais, pelo contrário, condenou-a mostrando o verdadeiro padrão a ser almejado: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.19-24). Ele exortou-nos a buscar primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, sendo que o suprimento necessário virá naturalmente de Deus (Mt 6:25-34). Não devemos ter preocupações exageradas pela nossa sobrevivência, nem pelos cuidados materiais gananciosos, pois Jesus afirmou que este conceito é, de fato, o mais claro sinal de avareza na vida de alguém: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15)

Todavia, é importante salientar que devemos também seguir o exemplo dos cristãos da Macedônia, onde mesmo em meio de muita pobreza, manifestaram abundância de generosidade ao preparar ofertas para ajudar os irmãos da igreja de Jerusalém em dificuldades financeiras. (2Co 8:1-4)

Quanto aos cristãos financeiramente prósperos, a Bíblia diz: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.” (1Tm 6:17-19) João Calvino interpretou esse fundamento com clareza: aqueles a quem houvermos de ver premidos pelas dificuldades das coisas, compartilhemos-lhes das necessidades e com nossa abundância supramos-lhes a falta de recursos.” [3] (Veja também 2Co 9:1-15)
 
Enfim, há muito mais passagens bíblicas que tratam sobre o assunto, mas creio que as citadas neste artigo sejam suficientes para esclarecer a questão.

Soli Deo Gloria!

viaBereianos