terça-feira, 3 de novembro de 2015

COMO DEUS FALA HOJE?

"AMADOS, PROCURANDO EU ESCREVER-VOS COM TODA A DILIGÊNCIA ACERCA DA SALVAÇÃO COMUM, TIVE POR NECESSIDADE ESCREVER-VOS, E EXORTAR-VOS A BATALHAR PELA FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA AOS SANTOS." Judas 3.

"TOMAI TAMBÉM O CAPACETE DA SALVAÇÃO, E A ESPADA DO ESPÍRITO, QUE É A PALAVRA DE DEUS;" Efésios 6:17.


Algumas pessoas reivindicam que Deus fala-lhes por sonhos e visões. Em uma ocasião, eu perguntei a uma mulher como ela sabia que tinha sido salva e disse me que sabia que tinha sido salva porque estava no hospital, numa noite, próxima à morte e, no meio da noite, o Senhor apareceu-lhe em uma visão e lhe disse que não se preocupasse porque ela ficaria bem.
Algumas pessoas reivindicam que Deus fala-lhes através de revelações especiais ou pelo dom de profecia. Afirmam que Deus dá-lhes as mesmas revelações especiais que deu aos apóstolos, no tempo do Novo Testamento. Algumas pessoas reivindicam que Deus fala-lhes com voz audível. Conheci um pastor que constantemente dizia: "Deus disse-me para fazer isso" ou "Deus falou-me que isso ia acontecer."
Algumas pessoas reivindicam que Deus fala-lhes através de impressões imediatas nas suas mentes ou daquilo ao qual gostam de se referir como "uma voz suave e quieta". Dizem que fizeram isso ou aquilo porque repentinamente sentiram-se fortemente movidos a fazer algo.
Como Deus fala, hoje? Como revela Deus a Sua vontade a nós, hoje? Como Deus fala aos homens, hoje, chamando-os a pregar o evangelho? Como Deus fala-nos em tempos de tristeza e morte, a fim de trazer-nos conforto e paz? Os dois versículos do nosso texto dão-nos respostas a todas essas perguntas.
A BÍBLIA É A PALAVRA FINAL DE DEUS AOS HOMENS
Judas 3 diz: "Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos." "Fé", nesse caso, não se refere à fé pela qual uma pessoa recebe a salvação. Não se refere à convicção nem a confiança que tem o salvo no Senhor Jesus Cristo para a salvação. Essa "fé", ou literalmente a ÚNICA fé, aqui, refere-se a todo o corpo de doutrina que o Senhor deu ao Seu povo pela revelação. Refere-se ao corpo da verdade revelada. A Bíblia, às vezes, refere-se a essa fé como a PALAVRA DA FÉ (Romanos 10:8). "FÉ", nessa passagem de Judas, é um termo objetivo e se refere à totalidade daquilo no qual os cristãos crêem.
Judas menciona o fato de que essa fé, ou, ainda, a Palavra de Deus, FOI DADA aos santos. A palavra grega traduzida aqui como "dada" significa que esse ato se completou no passado sem que tivesse continuidade. A força da expressão "uma vez" no grego exclui qualquer possibilidade de repetição. "De uma vez para sempre" é o que essa expressão significa.
Toda a verdade de Deus para o homem está contida nas Escrituras, pois, "de uma vez para sempre", foi-lhe entregue a Palavra de Deus, a Bíblia. Tudo aquilo de que precisamos saber de Deus e da nossa relação com Ele encontra-se na Bíblia Sagrada. Toda a verdade que veio de Deus contem-se nas Escrituras. A Bíblia é a única revelação que Deus nos deu. A revelação de Jesus Cristo nas Escrituras foi a última palavra entregue por Deus ao homem. Dessa forma Deus deu a Sua última palavra. Ele não tem mais nada a adicionar ao que está expresso na Bíblia Sagrada. Nenhuma nova revelação deve ser esperada. A Palavra de Deus foi dada uma única vez. A fé foi dada uma única vez.
Não estamos dizendo que Deus não poderia dar uma nova revelação se quisesse. Esse não é o assunto agora! Estamos afirmando que Deus não revela novos fatos porque é isso que Judas e outros afirmam, na Bíblia. A Bíblia é a total e completa revelação de Deus para o homem.
TUDO o que se exige que o homem saiba de Deus, o Seu trabalho e a Sua vontade contem-se nas Escrituras. Nada, além disso, é necessário. As Escrituras são absolutamente suficientes para se saber as coisas de Deus. "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa", diz o Apóstolo Paulo em II Timóteo 3:16-17, "para que o homem de Deus seja perfeito (espiritualmente amadurecido), e perfeitamente instruído (totalmente equipado) para toda a boa obra."
A Bíblia é a verdadeira e completa revelação de Deus para o homem. Deus não tem nada mais a dizer ao homem debaixo do céu que não possa ser achado na Bíblia. Eu gosto das palavras daquele grande e velho hino AS PROMESSAS DE DEUS que diz (#166 no Cantor Cristão, 6a impressão):
ACASO PODÍAMOS NÓS CONSEGUIR
MAIOR SEGURANÇA DO QUE POSSUIR
AS LINDAS PROMESSAS DO NOSSO BOM DEUS
FIRMADAS NA BÍBLIA PRA TODOS OS SEUS,
FIRMADAS NA BÍBLIA PRA TODOS OS SEUS.
Então, se a revelação de Deus está completa, não pode haver mais nenhumas visões, revelações, sinais milagrosos ou predições infalíveis. São realmente reivindicadas visões, sonhos divinos vindos de Deus, vozes e dons especiais de profecia, pois há aqueles que querem receber comunicações especiais ou inspiradas de Deus. Mas o Senhor Jesus claramente afirma-nos, em João 15:15, que "... tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer." Como pode alguém reivindicar a possibilidade de mais revelação levando em conta essa declaração?
Provérbios 30:6 adverte-nos: "Nada acrescentes às Suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso." Nosso texto, em Judas 3, diz que a fé foi dada aos santos uma vez e que vale para sempre. Como uma pessoa pode acrescentar algo à fé que uma vez foi dada aos santos? Além disso, o Senhor Jesus considera um anátema, amaldiçoado, qualquer um que acrescenta algo ao que já está escrito na Bíblia: "Se alguém acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro;" em Apocalipse 22:18.
Por que é anátema aquele que acrescenta algo ao livro de Deus? Porque a revelação está completa! Nada mais é necessário. Deus fechou o Livro! Apocalipse é o último livro que veio de um Apóstolo. Qualquer profecia, depois dos tempos dos Apóstolos, é anátema, segundo Deus.
A posição que os batistas assumiram ao longo da história acerca desse assunto está expressada claramente na Confissão de Fé da Filadélfia.
"Todo o conselho de Deus relativo a todas as coisas necessárias para a Sua própria glória, a salvação do homem, fé e vida, ou está expressamente afirmado ou necessariamente contido nas Escrituras Sagradas; nada pode ser-lhe acrescentado, seja por nova revelação do espírito, seja pelas tradições dos homens."
Muitas pessoas, hoje, querem "uma nova mensagem do céu" em vez das Escrituras Sagradas. Alguns, com olhos escurecidos, lêem as próprias declarações do Filho de Deus e, depois, procuram por coisas mais excitantes fora delas! As pessoas que buscam sonhos e VISÕES como sendo revelações vindas de Deus estão pressupondo claramente que a Bíblia não pode tornar um homem perfeito e perfeitamente instruído para toda a boa obra. Estão negando a suficiência das Escrituras!
Henry W. Frost, um dos principais escritores do movimento Pentecostal moderno, fez uma declaração reveladora em seu livro "Cura Miraculosa" (Publicações Evangélicas Selecionadas, São Paulo, páginas 99-100, 1984.):
"Talvez se possa esperar com confiança que, à medida que a atual apostasia aumentar, Cristo manifestará Sua deidade e Seu senhorio em proporção cada vez maior através de sinais prodigiosos, inclusive curas. Não dizemos, portanto, que a Palavra é suficiente. É suficiente para os que a conhecem e acreditam nela; mas não é para aqueles que nunca ouviram falar dela ou que, tendo ouvido, não creram nela. Para essas pessoas, deve ser feito um apelo num plano mais facilmente entendido, a saber, no plano físico."
Esse modo de pensar, abertamente e sem nenhuma ressalva, nega que a Bíblia seja capaz o suficiente para suprir todas as necessidades do homem
DEUS FALA AOS HOMENS HOJE PELA BÍBLIA
Os meios ou as ferramentas pelos quais Deus fala aos homens hoje não são visões, sonhos, vozes ou dons especiais de profecia. O meio pelo qual Deus fala hoje é a Palavra de Deus escrita.
O Apóstolo Paulo diz em Efésios 6:17: "Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus." O Apóstolo Paulo está dizendo aqui que o Espírito Santo de Deus usa a Palavra de Deus para falar e para fazer o Seu trabalho nesse mundo hoje. A Palavra de Deus escrita é a espada, o instrumento e a ferramenta do Espírito Santo, com os quais Ele opera nesse mundo para falar aos homens, hoje. As Escrituras são uma espada afiada que convence os homens do pecado, mostra a ira de Deus, refuta o erro e a heresia, resiste às tentações de Satanás e revela a vontade de Deus.
A BÍBLIA e SOMENTE A BÍBLIA é a Palavra de Deus, hoje. O único meio pelo qual o Espírito Santo fala a esse mundo hoje é a Palavra de Deus escrita, a Bíblia. Somente nEla e através dEla que chegamos ao conhecimento dAquele que é a imagem do Deus invisível e ao contato com Ele.
Como sabemos qual é a vontade de Deus, hoje? Como descobrimos qual é especificamente a vontade de Deus para nossas próprias vidas? Pastores, conselheiros, pais e amigos podem ajudar-nos a entender a mensagem e o significado da vontade de Deus, mas eles, contudo, devem estar baseados nas Escrituras Sagradas. Não há nenhum conhecimento da vontade de Deus de que o homem necessite hoje que não esteja declarado na Bíblia ou que não possa ser deduzido da Bíblia através de meditação espiritual dEla.
Toda necessidade espiritual que possamos ter está completamente abordada na Palavra de Deus escrita. Ela é absolutamente suficiente para cada necessidade que possivelmente tenhamos, se não em declarações diretas, em princípios estabelecidos. Repetindo, II Timóteo 3:16-17 afirma que "toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra." Escute! O Espírito Santo nunca revela nada à alma que não está nas Escrituras! Não tenha dúvidas!
E a vontade de Deus para a tua e a minha vida? Como Deus revela a Sua vontade a nós, hoje? Em primeiro lugar, precisamos reconhecer que a vontade de Deus está sempre concordante com a Sua Palavra. Deus não tratará conosco sem observar a Sua palavra (as Escrituras Sagradas)!
O que, então, devemos fazer dos sonhos, visões, impressões e dons de profecia etc." O que devemos pensar sobre os sonhos? Muitas pessoas crêem que seus sonhos são mensagens de Deus. Precisamos entender que todo mundo, mais cedo ou mais tarde, sonha. Este é um fenômeno que Deus construiu na psique humana.
Há muita coisa envolvida quando o assunto são sonhos. Quando eu trabalhava na penitenciária estadual em Granito, Oklahoma, cheguei a perceber que os presos têm alta incidência de sonhos sérios e por isso comecei a pensar e a estudar sobre sonhos. Uma coisa que descobri foi o fato de que, durante o nosso sono, nossas mentes e, especialmente nosso subconsciente, está livre e desinibida. Muitas vezes, o que ouvimos, pensamos ou relembramos nas últimas 24 horas volta-nos em sonhos à noite.
Eu também descobri que coisas como culpa, especialmente a culpa, mexe com o subconsciente de forma que os pensamentos, às vezes, tornam-se muito mais vívidos e sérios. Homens que se sentem culpados freqüentemente têm pesadelos, visões e sonhos sérios mais do que aqueles que não se sentem culpados. Existem várias outras coisas que produzem e estimulam sonhos, tais como indigestão e preocupação.
Eu também descobri que sonhos são um dispositivo que Deus embutiu em nossas mentes a fim de nos ajudar a permanecer adormecidos quando estamos prestes a despertar ou quando temos um sono leve. Portanto sonhos têm um propósito no esquema de Deus, mas esse propósito não é revelar a mensagem de Deus ou a Sua vontade!
E as fortes impressões que as vezes nos animam a fazer algo para o Senhor? O perigo de confiar que impressões são mensagens ou instruções de Deus está no fato de que, além do Espírito Santo, existem outros seres espirituais e influências que podem trazer-nos impressões. I João 4:1 diz: "Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." E o fundamento pelo qual julgamos os espíritos é, obviamente, a Palavra de Deus.
Quando uma mulher se sente "impressionada" ou "conduzida pelo espírito" para pregar no púlpito, ela não está sendo movida pelo Espírito Santo, está guiada por um "outro espírito", porque as Escrituras Sagradas, pela qual o Espírito de Deus fala, proíbe radicalmente que as mulheres preguem em I Timóteo 2:12. Se um jovem Cristão se sente "conduzido" a se casar com uma incrédula, ele está sendo movido por um "outro espírito", não pelo Espírito Santo, porque a Palavra de Deus proíbe isso estritamente em II Coríntios 6:14-18.
De maneira nenhuma devemos viver de acordo com nossas próprias intuições e impressões aparte da Palavra de Deus. Temos que medir essas impressões pela Palavra de Deus. Temos que buscar aquilo que Deus diz na Sua palavra. O critério que devemos usar para julgar a liderança do Espírito em todas as coisas é unicamente a Palavra de Deus. Tudo deve ser medido pela Palavra de Deus. O Espírito Santo comove as pessoas para que façam coisas. Mas sempre concordantes, fundadas e consistentes tendo em vista a Palavra de Deus escrita.
O Espírito Santo faz que o coração se disponha a aceitar a verdade e os deveres ensinados pelas Escrituras. Quando ficamos fortemente comovidos a testemunhar a alguém sobre o Senhor Jesus Cristo, é porque o Espírito Santo está implementando a Palavra de Deus que nos manda pregar o Evangelho a toda criatura. Num tempo ou outro, lemos ou recebemos essa instrução da Palavra de Deus e Ele impressiona essa verdade em nossos corações em relação a algum indivíduo particular.
Pensemos um pouco mais sobre a obra que o Espírito Santo tem de falar através das Escrituras. Como é que o Espírito Santo fala pela Bíblia? Como é que Ele fala pela Palavra de Deus?
É possível que alguém conheça fatos da Bíblia e, ainda assim, não saiba qual é a vontade de Deus. Os Judeus, na época de Jesus, tinham as Escrituras e a conheciam nos mínimos detalhes de cada letra e, mesmo assim, não conheceram a Deus, o Filho, quando apareceu entre eles. O que estava errado?
A Palavra de Deus é uma espada, uma espada afiada de dois gumes, mas a sua eficácia depende no Espírito Santo. Sem a obra do Espírito Santo na Palavra, Ela não é eficaz. O Espírito Santo faz com que a Palavra de Deus seja eficaz e poderosa. Um pregador explica isso da seguinte maneira: O ESPÍRITO NÃO NOS ENSINARÁ SEM A PALAVRA. A PALAVRA NÃO NOS ENSINARÁ SEM O ESPÍRITO.
Esse trabalho educador que tem o Espírito Santo, a eficácia da palavra do Espírito, que é a Palavra de Deus, é aquilo a que normalmente nos referimos como a obra iluminadora do Espírito Santo ou a obra de iluminação pelo Espírito Santo. John Owen definiu iluminação como:
"A operação efetiva do Espírito Santo, livrando nossas mentes da escuridão, ignorância e preconceitos, permitindo-nos discernir coisas espirituais da maneira correta."
A iluminação interior do Espírito de Deus se faz necessária para que haja compreensão salvadora das coisas que são reveladas na Bíblia. Não podemos chegar a qualquer compreensão adequada da palavra sem essa obra do Espírito Santo.
O Espírito Santo ilumina o nosso entendimento e conduz a nossa vontade para que façamos o que agrada a Deus. O Espírito Santo opera na palavra e pela palavra, abrindo o nosso entendimento aos ensinos, às advertências, às condenações e a convites da Palavra de Deus. Deus fala hoje pela operação iluminadora do Espírito Santo, abrindo a compreensão daqueles em quem Ele trabalha, para que façam a sua vontade como é revelado na Sua Palavra.
ALGUMAS APLICAÇÕES
Primeiramente, se Deus fala pela Palavra escrita, a espada do Espírito, temos que nos tornar estudantes diligentes da Sua Palavra se queremos saber qual é a Sua vontade. Sabendo qual é a vontade de Deus, muitos problemas podem ser resolvidos se, em vez de perguntar "é essa a vontade de Deus?", perguntássemos, "isso está de acordo com a Palavra de Deus?"
A cada decisão que tomamos, a cada plano que temos, a cada ação que executamos, perguntamo-nos, "isso está em harmonia com a Palavra de Deus escrita?" Se alguma coisa está em harmonia com a Palavra de Deus, podemos assegurar-nos de que essa é a vontade de Deus, porque ela está revelada na Sua Palavra. Se estou fazendo o que ensinam as Escrituras, devo ser conduzido pelo Espírito de Deus, porque o Espírito nunca leva ninguém a agir em oposição à Palavra de Deus escrita.
Em segundo lugar, se Deus só fala pela Sua Palavra, hoje, é essencial que oremos para que o Espírito Santo nos ilumine de forma que possamos entender a Palavra que recebemos. Não precisamos de revelações adicionais de Deus. Precisamos orar para que o Espírito de Deus nos ilumine de tal forma que entendamos a Sua Palavra que já temos conosco. Temos que orar fervorosamente para que o Espírito de sabedoria e de revelação abra os olhos da nossa compreensão. Precisamos orar como Davi no Salmo 119:18, "Abre Tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da Tua lei." Essa é uma oração que pede a obra iluminadora do Espírito Santo.
Em terceiro lugar, se a Bíblia é a fé uma vez dada aos santos, como Judas 3 diz que é, temos que orar, temos que ensinar e distribuir a Palavra de Deus com toda dedicação. De outra forma, o mundo não se conforma à vontade de Deus para a salvação, no quotidiano ou em qualquer outra atividade.
Em quatro lugar, se somos chamados para batalhar pela fé que Deus deu aos santos para sempre, sobre a qual Deus nos deu Sua última palavra, temos que rejeitar qualquer reivindicação por novas revelações. Nem anjos nem milagres deverem levar-nos a aceitar qualquer acréscimo à Palavra de Deus escrita. A Palavra de Deus escrita é perfeita, completa, suficiente e o homem de Deus deve, portanto, recusar qualquer outra revelação. Porque a revelação de Deus está completa e porque unicamente o Espírito Santo opera pela Palavra de Deus escrita. Qualquer reivindicação por outra revelação, além daquela que Deus já nos concedeu pela Bíblia, é falsa e deve ser rejeitada.
Algumas seitas reivindicam o fato de Deus ter se pronunciado através de outros livros desde a época em que a Bíblia foi escrita. Por isso temos "Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras", "O Livro de Mórmon", "Doutrinas e Alianças" e "Pérola de Grande Valor". Algumas das marcas de uma seita são reivindicar outros livros, outras revelações consideradas necessárias além da Bíblia e que Deus continua falando desde que a Bíblia se completou.
CONCLUSÃO
A Bíblia, a preciosa Palavra de Deus, é de extrema importância. Tudo o que se relaciona à salvação, à vida presente e ao porvir depende dela.
Deus, por meio da Bíblia, fala aos pecadores perdidos. A Bíblia fala aos homens e às mulheres e aos meninos e às meninas que estão perdidos no pecado e indo ao inferno por isso. A Bíblia nos diz que não há nada que um pecador possa fazer para se salvar ou para ajudar a se salvar. A Bíblia nos diz que a salvação é uma obra da graça de Deus e que, somente quando o Espírito Santo regenera um pecador e lhe dá vida espiritual, esse pecador pode arrepender-se dos seus pecados, crer no evangelho de Jesus Cristo e ser salvo.
Meu amigo pecador, a Bíblia tanto manda quanto convida que te arrependas de teus pecados e venha a Cristo para a salvação. Que o Espírito Santo ilumine teu coração hoje, abrindo os seus olhos de forma que você entenda e responda à vontade de Deus como é revelado na Sua Palavra.
LAURENCE JUSTICE
Laurence Anson tem cinqüenta e sete anos, é casado com Lyndy Eddy que veio de Searcy, Arkansas, e tem três filhos. Justice é formado pela Universidade Batista de Oklahoma e pelo Seminário Teológico Batista do Sudoeste. Ele tem pastoreado a Igreja Batista na Avenida Kentucky, Oklahoma City, a Primeira Igreja Batista de Willow, Oklahoma, e a Igreja Batista Hillcrest, Midwest City, Oklahoma, e está pastoreando a Igreja Batista da Vitória em Kansas City, Missouri. Ele também tem pastoreado no Alabama e servido como Chapelão na prisão estadual de segurança média em Granite, Oklahoma.
Entre suas publicações, incluem-se: "Pequeno Alcatraz", "A Música na Igreja", "Por que, Senhor, Por que?", "O Pentecostalismo", "Uma Igreja Batista Deve Ter Anciões?", "Uma Igreja Batista Deve Reconhecer O Batismo Estranho?", "Uma Igreja Batista Deve Consagrar Diaconisas?", "Uma Igreja Batista Deve Praticar Um Governo Democrático Na Igreja?", "Os Batistas Devem Adotar Confissões de Fé?", "Cristãos Devem se Aposentar?", "O Cristão e o Serviço Militar" e "Deve uma Igreja Batista Tolerar Musica Contemporânea Moderna?"

Autor: Pr Laurence A. Justice
Tradução: Calvin G. Gardner 12/00
Revisão Textual: Albano Dalla Pria 01/01
Fonte: www.palavraprudente.com.br 
Não Me Envergonho do Evangelho

Por R. M. M’Cheyne

“E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. Porque não me envergonho do evangelho
de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro
do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé. Porque do céu se manifesta a
ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a
verdade em injustiça.” (Romanos 1:15-18)

1. Onde Paulo desejou pregar: “Estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma”. Roma era naquele tempo a cidade mais poderosa de todo o mundo. Daniel a comparou a um animal com dentes de ferro pisando outros reinos com seus pés. Ela foi chamada de senhora de reinos. Ainda assim, Paulo estava disposto a pregar ali o E-vangelho. Esta era a cidade mais erudita do mundo. Seus poetas, pintores, oradores, histo-riadores da época de Augusto, eram famosos por todo o mundo. Alguns dos exemplares mais perfeitos de composição humana que já foram produzidos foram publicados em Roma naquele tempo. Era a cidade mais perversa do mundo. As contaminações que fluíam por suas ruas eram iguais às de Sodoma e Gomorra. O imperador era um dos monstros mais cruéis que já apareceram na forma de um homem. Esse foi o lugar onde Paulo desejava ardentemente ser autorizado a pregar o Evangelho.
2. O que Paulo queria pregar: “O Evangelho, o Evangelho de Cristo”. Não era para ver Ro-ma que Paulo desejava estar ali; não era para ver os seus templos, e teatros, e estátuas, as maravilhas do mundo. Não era para mostrar sua própria eloquência, não era para anun-ciar uma nova obra, de modo a ganhar a estima e o aplauso do povo Romano. Foi para pregar o Evangelho, o caminho da salvação pela justiça de Deus. “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” [Coríntios 2:2].
3. O que Paulo sentia: “Não me envergonho do Evangelho de Cristo”. Mais é significado nestas palavras do que é expresso. Ele não quer dizer apenas que ele não tinha vergonha do Evangelho, mas que se gloriava nele. É muito semelhante a Gálatas 6:14: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Duas coisas estão implícitas: (1) Que ele não se envergonhava do Evangelho diante de Deus. Ele arris-cou sua própria alma neste caminho da salvação. Ele poderia dizer, como Davi: “Pois toda a minha salvação e todo o meu prazer está nele” [2 Samuel 23:5]. O caminho da salvação pelo Senhor Nossa Justiça é doce para Paulo. Sua alma descansou ali com grande prazer. Issuu.com/oEstandarteDeCristo

Ele esteve assim diante de Deus em secreto; assim, em público; assim ao morrer. Ele espe-rava estar diante de Deus por toda a eternidade vestido em justiça Divina. (2) Que ele não se envergonhava do Evangelho diante dos homens. Embora todo o mundo estivesse contra ele, Paulo se glorificaria neste caminho da salvação. Ele tinha um desejo ardente de fazê-lo conhecido aos outros homens. Ele o sentia tão docemente, ele viu que ele é tão glorioso, que desejaria ter uma voz tão alta que todos os homens pudessem ouvir, de uma vez, o caminho da salvação por Cristo.
Homens poderiam rir da ideia de um pobre verme como Paulo dominar a poderosa Roma com algumas palavras de seus lábios; mas Paulo viu tal poder Divino no Evangelho e por isso não se envergonhava dele. Ele sabia que o Evangelho poderia quebrar o coração mais duro, e unir o mais quebrantado. Os homens cultos de Roma poderiam rir das palavras da-quele tagarela; mas Paulo viu tal sabedoria no Evangelho, que toda a sabedoria humana parecia absoluta loucura ao lado dele. A maldade de Roma alcançou o céu, esta era uma fumaça contínua nas narinas de Deus, um fogo que queimava todo o dia; mas Paulo sabia que a justiça de Deus poderia cobrir o pecado de mil Romas. Ele o viu ser tão vasto, tão imenso, tão gratuito, tão infinitamente glorioso, tão divino, que poderia fluir mais e cobrir os pecados do maior pecador em Roma.
I. Razões pelas quais os homens mundanos envergonham-se do Evangelho.
1. Porque é loucura: “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os ju-deus, e loucura para os gregos” (1 Coríntios 1:23). “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). Homens não-regenerados não podem compreender o caminho da salvação pela justiça de outro. Isso parece um plano tolo. Eles não acreditam de forma alguma que isso esteja na Bíblia. Que um homem entre no Céu por suas boas obras, eles conseguem entender, isso é agradável para o orgulho do coração natural; ou que Deus se esqueça de punir o pecado, e admita maus e bons ao Céu, eles podem compreender isso. “Pensavas que era tal como tu” [Salmos 50:21]. Mas que um pe-cador deva ser coberto com a justiça de outro, que ele deva ter os sofrimentos e vida santa de outra Pessoa colocada em sua conta, de forma a apagar todos os seus pecados, isso é loucura total para os homens mundanos. Por isso que muitos de vocês se envergonham do Evangelho de Cristo. Vocês têm vergonha de ouvi-lo pregado: quando ele é claramente definido diante de vocês, vocês o desprezam em seu coração. Vocês têm vergonha dele diante de Deus. Vocês não vão ao Pai por este caminho. Vocês não entram no santuário pelo sangue de Jesus. Vocês não entram culpados e repugnantes em si mesmos, confiando apenas na obediência dEle. Vocês têm vergonha dele diante dos homens, envergonham-se de afirmá-lo para os seus filhos e servos como a única forma de perdão e aceitação. Issuu.com/oEstandarteDeCristo

2. Devido ao mensageiro. Certa vez, quando Jesus estava pregando em Seu próprio país, disseram: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele” (Marcos 6: 3). Quando Pedro e João estavam diante do Conselho Judaico, é dito: “informados de que eram homens sem letras e indoutos” (Atos 4:13). Quando Paulo pregou em Atenas, eles disseram: “Que quer dizer este paroleiro?” [Atos 17:18]. Em Corinto eles disseram: “a pre-sença do corpo é fraca, e a palavra desprezível” (2 Coríntios 10:10). Assim ainda é. Temos este tesouro em vasos de barro. Cada ministro que eu conheço tem algum defeito doloroso sobre ele. Homens ímpios sempre tropeçam com isso, e se envergonham do Evangelho por causa da fraqueza daqueles que o carregam.
3. Porque eles odeiam a sua santidade. Aqui está a principal razão por que os homens não-regenerados têm vergonha do Evangelho, a saber, ele é um Evangelho santificador. Ele não permitirá que os homens vivam em seus pecados Se Cristo viesse salvar os homens em seus pecados; arrebatá-los do inferno, e deixá-los desfrutar de suas paixões, os homens não-regenerados aclamariam o Evangelho. Mas Jesus é um Salvador santo. “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu” [Tito 2:14]; “Porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” [Mateus 1:21]. Ele primeiro cobre a alma com as Suas vestes brancas, então, faz a alma gloriosa interiormente; restau-ra a imagem perdida de Deus, e enche a alma com santidade pura, celestial. Homens não-regenerados dentre vós não podem suportar isso. O bêbado no meio de vós diz: “Oh! Ele me levará para longe da taberna”; o blasfemo: “Oh! Ele retirará minhas queridas impreca-ções”; o sensual: “Ele me fará casto e puro”. Daí a vossa malignidade contra o Redentor; por isso, vocês não veem nenhuma beleza nem formosura nAquele que é totalmente dese-jável. Vocês envergonham-se do Evangelho de Cristo.
II. Razões pelas quais os crentes gloriam-se no Evangelho de Cristo.
1. Devido ao seu poder: “É o poder de Deus para a salvação”. Para homens ímpios nada parece mais fraco e impotente do que o Evangelho. Eles o consideram como os genros de Ló consideraram seu aviso solene: “Foi tido porém por zombador aos olhos de seus genros” [Gênesis 19:14]. Ele parece um conto ocioso; a fábula de uma velha senhora; mas é, na realidade, “o poder de Deus para a salvação”. O Evangelho é uma arma incrível quando Deus exerce o Seu poder: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim po-derosas em Deus para destruição das fortalezas” [2 Coríntios 10:4]. Quando Deus maneja o Evangelho, ele é poderoso para despertar os corações mais duros. Paulo sentiu isso em sua própria experiência. Ele foi um fariseu orgulhoso, hipócrita, blasfemo, perseguidor e injuriador. Você diria: Nada no mundo pode despertar aquele homem. Jesus revelou-Se a Issuu.com/oEstandarteDeCristo

ele, e ele foi ao chão, tremendo e atônito. Assim ele o viu em outros; em Lídia, e no carcerei-ro; em Sérgio Paulo, procônsul de Chipre: “creu, maravilhado da doutrina do Senhor” (Atos 13:12). “O poder de Deus para salvação!”. Não o poderoso braço de Deus para destruir, mas Seu braço poderoso para salvar. Ele sabia que ele teria o mesmo poder sobre todo o que cria, seja judeu ou grego. O coração obstinado do judeu, e o coração orgulhoso do gre-go, ambos seriam quebrados sob a lâmina afiada do Evangelho.
Não admira que Paulo foi tão corajosamente a Roma, quando ele tinha tal arma na mão. Ele sabia que os corações dos Romanos eram duros como diamante, orgulhosos como Lú-cifer, e cheios de luxúrias como o inferno está cheio de espíritos imundos; ele sabia que Satanás tinha aquela cidade orgulhosa em seus braços; ainda assim, ali havia um poder — a verdade simples como é em Jesus — pela qual Deus poderia abater o mais orgulhoso e mais endurecido, levá-los a sentarem-se aos pés de Jesus, vestidos e em seu perfeito juízo. Isso é o que nos habilita a continuar a pregar no meio de vós. Agora, eu tenho alguma expe-riência da dureza dos vossos corações, e que é mais fácil criar um mundo do que converter uma de vossas almas; mas o Evangelho é “o poder de Deus”, e eu não me desespero sobre a conversão de qualquer um de vocês. Deus é capaz de fazê-lo através deste poderoso Evangelho: “Porque para Deus nada é impossível”.
Oh, irmãos! você já sentiu o poder do Evangelho? Será que o Evangelho chega a você não apenas em palavras, mas em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza? Ele quebrou seu coração, e o refez? Poderoso Evangelho! Só ele pode salvar. Pecador despertado! o Evangelho é “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. Embora você tenha os pecados do judeu e do grego, há o suficiente em Jesus para apagar todos eles. Embora seu coração seja duro, Deus é capaz, através deste poderoso Evangelho, de conquistá-lo.
2. Devido a justiça de Deus revelada nele. Esta razão brota da anterior. É o poder de Deus: “Porque nele se descobre a justiça de Deus”. É esta a justiça que lhe dá todo o seu poder; o torna tão atrativo aos pecadores — apaziguando assim a consciência perturbada. “A jus-tiça de Deus” é exatamente os sofrimentos e obediência do Senhor Jesus, que era Deus, oferecido gratuitamente para salvar pecadores. Os sofrimentos de Cristo, desde a manje-doura de Belém até a cruz do Calvário, foram todos os sofrimentos de Alguém que era Deus: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” [Isaías 9:6]; “Ó espada, desperta-te contra o meu pastor, e contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos” [Zacarias 13:7]. O sangue de Cristo é chamado de o sangue de Deus (Atos 20:28). Foi isso que deu valor infinito aos sofrimentos de Cristo. [...]. A obediência de Cristo, desde a infância até a morte, foi toda a obediência de Alguém que era Deus. Sua vontade Divina concordou com Sua Issuu.com/oEstandarteDeCristo

santa vontade humana em cada ato de obediência. Sua obediência aos pais é a obediência de Deus; Suas orações eram as orações de Deus; Suas lágrimas, as lágrimas de Deus; Se-us santos pensamentos, os pensamentos de Deus; Suas santas ações, as ações de Deus — toda a Sua obediência é Divina. Há perfeição Divina nEle. Ele tem a plenitude e excelên-cia Divina que nenhuma outra obediência já teve, ou pode ter, é “a justiça de Deus”. Isto é o que se revela no Evangelho — oferecido gratuitamente a toda criatura, para apagar o pecado, e justificar diante de Deus.
Foi isso o que animou os braços de Paulo. Ele sabia que estava trazendo esta gloriosa jus-tiça à visão dos pecadores. Embora os homens de Roma estivessem cobertos até o céu com inúmeros pecados; ele sabia que esta gloriosa justiça era suficiente para apagá-los completamente.
Ó irmãos! é isso que passamos a oferecer-lhes no dia de hoje; uma justiça tão grande que é capaz de vestir-lhe Divinamente. Para cada pecado de vocês aqui, há uma ferida em Jesus. Pelos pecados da infância, aqui estão os sofrimentos de Sua infância; pelos pecados da juventude, aqui estão os sofrimentos de Sua juventude; pelos pecados da maturidade, aqui estão os sofrimentos de Sua maturidade. Para a sua infinita desonra feia à Lei de Deus, aqui está a honra infinita feita à Lei. Sua obediência é obediência Divina. Pela sua vida profana, aqui está a Sua vida Divinamente santa para cobri-lhes. Aqui estão Seus pen-samentos Divinamente santos para cobrir seus pensamentos impuros; aqui estão as Suas santas palavras, para cobrir as suas palavras profanas; Suas santas ações, para cobrir suas ações profanas.
Há algo infinitamente vasto e glorioso na justiça de Deus. Quando o dilúvio cobriu a terra, ele cobriu as montanhas mais altas. Olhando de cima para baixo, e nenhum topo de monta-nha poderia ser visto, a não ser um vasto mundo de águas; uma vasta planície refletindo os raios de sol. Assim, se vocês neste dia inclinarem-se sob a justiça de Deus, as montanhas de seus pecados não serão vistas, mas apenas a grande vasta, profunda e gloriosa justiça do seu Deus e Salvador. Se vocês jogassem uma pedra na parte mais profunda do oceano, ela seria perdida e engolida pelas profundas ondas do oceano; semelhantemente, quando um pecador é lançado para baixo, sob a justiça de Deus, ele é como que absorto e imerso em Cristo.
A justiça descoberta no Evangelho é muitíssimo gratuita: “de fé em fé”! O significado disso é que ela é recebida pela fé. Ainda que alguém oferecesse todos os bens de sua casa pela Sua justiça de Deus, certamente o desprezariam. É “sem dinheiro e sem preço” [Isaías 55:1]. Cristo oferece-Se livremente para cada um de vocês, para ser Jeová vossa Justiça.

Via o Estandarte de Cristo


3 possíveis explicações da razão pela qual Deus permitiu o pecado


Por Samuel Falcão
 
De acordo com tudo quanto foi dito acima, vemos que o mal moral, tanto em sua origem como em seu prosseguimento, foi incluído nos decretos de Deus como permitido, mas permi­tido com algum sábio objetivo.

Que Deus decretou permitir o pecado, desde toda a eterni­dade, vê-se no fato que, também desde toda a eternidade, Ele decretou salvar pessoas mediante a morte de Cristo, como se declara na seguinte passagem das Escrituras: “Não foi medi­ante coisas, corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resga­tados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1 Pe 1:18-20; veja-se também o v.2 e Rm 8:29; 2 Tm 1:9; Tt 1:2; Ap 13:8).

Há outra pergunta a fazer em conexão com este magno as­sunto, a saber: Por que permitiu Deus que o mal entrasse no mundo? Se Ele odeia o mal e tem todo o poder, de modo que podia tê-lo impedido, por que o permitiu com suas consequên­cias indescritivelmente dolorosas? Esta é a pergunta que mais nos deixa perplexos. Jamais seremos capazes de responder a ela nesta vida.
“A permissão e a presença do pecado no universo, onde Deus infinitamente santo, exerce domínio, oca­sionam um entrechoque de idéias, as quais, por tudo quanto envolvem, nenhum espírito humano pode har­monizar completamente. Tendo-se em vista as duas realidades inconciliáveis, Deus e o pecado, é certo que a solução da dificuldade não será descoberta nem na suposição de que Deus era incapaz de impedir o apa­recimento do pecado no universo, nem de que Ele não pode fazê-lo cessar a qualquer momento. Na pro­cura dessa solução, é certo que o dilema não será ven­cido ou atenuado, supondo-se que o pecado não é excessivamente mau à vista de Deus — pois Ele tem-lhe aversão absoluta. O fato permanece sem modificação, que Deus, ativa e infinitamente santo e absolutamente livre em seus empreendimentos, sendo capaz de criar ou não criar, e de excluir o mal daquilo por Ele criado, permitiu não obstante que o mal aparecesse e ope­rasse na esfera dos anjos e do homem. Esta perplexi­dade sobe de ponto, atingindo um grau imensurável, se considera o fato de que Deus sabia, quando per­mitiu a manifestação do pecado, que este lhe custa­ria o maior sacrifício que lhe seria possível fazer — a morte de seu Filho. As Escrituras atestam, com bas­tante ênfase que (a) Deus é todo-poderoso e, por con­seguinte, não recebe imposição do pecado contra sua vontade permissiva; (b) que Deus é perfeitamente santo e odeia o pecado incondicionalmente; e (c) que o pecado está presente no universo, ocasionando toda sorte de malefícios aos seres criados e que esse dano, em vista da incapacidade de alguns de entrarem na graça da redenção, pesará sobre eles por toda a eternidade”. [1]

Embora as perguntas acerca deste problema sejam de fato desconcertantes, algumas respostas têm sido sugeridas. Vou referir algumas.

1. “Sendo o propósito final de Deus trazer os homens à sua semelhança, estes, para alcançar esse fim, devem chegar a saber em certo grau o que Deus sabe. De­vem reconhecer o caráter maligno do pecado. Este, intuitivamente, Deus conhece; mas tal conhecimento pode ser adquirido, pelas criaturas, apenas por meio de observação e experiência. Obviamente, se o pro­pósito divino tem de ser realizado, ao mal deve-se permitir que se manifeste. O que a demonstração do pecado e sua experiência podem significar para os anjos não está revelado”.[2]

2. Uma segunda explicação é que a existência de agen­tes livres no universo seria uma possibilidade virtual de revolta contra Deus, em qualquer tempo. Noutras palavras, a existên­cia de vontades livres, capazes de se opor à vontade de Deus, seria, por toda a eternidade, um principio potencial de pecado, e tal princípio de pecado tinha de ser trazido “a juízo completo e final”. Deus desejou tornar impossível, no fim, não somente a realidade do pecado, mas até sua possibilidade. Como não é possível condenar uma abstração, Deus permitiu que o pecado ou o mal se concretizasse, de modo a poder ser condenado na cruz, onde seu caráter foi plenamente revelado nos sofrimentos do Filho de Deus. Por essa forma todas as criaturas de Deus aprenderiam que coisa insana, penosa indescritivelmente in­grata e desastrosa é desobedecer a Deus, e depois da experiên­cia dolorosa do pecado todas elas se conformariam natural e alegremente com a sua perfeita vontade e trilhariam seus caminhos sapientíssimos. Foi esta a experiência do Filho Pródigo.

3. Uma terceira explicação é que Deus permitiu o peca­do a fim de ter oportunidade de dar a conhecer sua justiça e sua graça, que jamais poderiam ser reveladas se no mundo não houvesse pecadores, para serem condenados, ou serem salvos. Paulo sugere isso nas seguintes passagens: “Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu po­der, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, prepa­rados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão?” (Rm 9:22,23). “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo... para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado... a fim de sermos para louvor da sua glória” (Ef 1:4-6, 9-12).

É interessante, porém, notar que a Bíblia jamais procura responder nossas perguntas sobre o problema do mal e do so­frimento.

No caso clássico de Jó, a única resposta que Deus lhe deu foi que, se ele não podia entender os fatos mais simples da na­tureza, como podia compreender os mistérios divinos? Todavia, deve ter sido um gozo e glória indizíveis para ele saber que seus sofrimentos contribuíram para a glória de Deus e confusão de Satanás. E note-se também que no fim tudo para Jó veio a ser melhor do que no princípio. E o mesmo acontecerá a todos quantos pertencem a Deus.

No caso do cego de nascença, temos o que podemos cha­mar “o problema do mal num caso concreto”. Cristo, no en­tanto, não procurou responder a pergunta acerca desse proble­ma, porém fez melhor, isto é, primeiro declarou que os sofri­mentos daquele homem foram permitidos para a glória de Deus, e depois o curou. E assim aprendemos que Cristo não veio para responder nossas perguntas quanto ao problema do mal, mas, muito melhor do que isso, veio para destruir o mal. Co­mo Ele disse naquela ocasião: “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (Jo 9:4,5). E havendo dito isso, deu luz ao cego.

Cristo veio para destruir o mal, “para destruir as obras do diabo” (1 Jo 3:8). Foi Ele que se tornou semente da mulher para esmagar a cabeça da serpente. E Ele fez isso mediante sua vida, morte e ressurreição (Hb 2:14). Agora Ele está à direita do Pai, aguardando o tempo fixado por Deus, em seus decretos, quando todos os seus inimigos serão postos por es­trado de seus pés (Hb 1:13). No livro do Apocalipse, onde se nos descrevem as últimas coisas, vemos o Cristo vitorioso destruindo todo o mal e toda oposição a Deus, e lançando a an­tiga serpente, que é o diabo e Satanás, no lago de fogo e enxo­fre. Será isso o fim da grande luta anunciada em Gn 3:15, fim glorioso com a vitória completa da luz sobre as trevas, da verdade sobre a mentira, da vida sobre a morte, do bem sobre o mal, de Deus sobre Satanás.

É verdade que não podemos explicar o problema intrincado do mal, mas isso não é o que mais importa: o mais importante é sabermos que o mal será destruído e no final tudo redundará na glória de Deus e no gozo e felicidade de todos quantos lhe pertencem.

 
Notas:
[1] L. S. Chafer, B. S., XCVI: 149, 150
[2] L. S. Chafer, B. S., XCVI: p.152

Fonte: Escolhidos em Cristo – O Que de Fato a Bíblia Ensina Sobre a Predestinação, Samuel Falcão, Ed. Cultura Cristã, 1997.
Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]

O significado de "Kosmos" em João 3:16


Pode parecer para alguns de nossos leitores que a exposição que demos de João 3:16 no capítulo sobre “Dificuldades e Objeções” é forçada e não natural, na medida em que nossa definição do termo “mundo” parece estar fora de harmonia com o significado e escopo desta palavra em outras passagens, onde, fornecer o mundo de crentes (os eleitos de Deus) como uma definição de “mundo” parece não fazer sentido. Muitos têm nos dito: “Certamente, ‘mundo’ significa mundo, isto é, você, eu, e cada pessoa”. Em resposta dizemos: Nós sabemos por experiência quão difícil é pôr de lado as “tradições de homens” e chegar a uma passagem que temos ouvido explanada de um certo modo muitas vezes, e nós mesmos estudá-la cuidadosamente sem preconceito. Todavia, isto é essencial se desejarmos aprender a mente de Deus.

Muitas pessoas supõem que elas já conhecem o simples significado de João 3:16 e, portanto, concluem que nenhum estudo diligente é requerido delas para descobrir o ensino preciso deste verso. É desnecessário dizer, que tal atitude impede a entrada de qualquer luz adicional que de outra forma eles poderiam obter sobre a passagem. Além disso, se alguém pegar uma Concordância e ler cuidadosamente as várias passagens nas quais o termo “mundo” (como uma tradução de “kosmos”) ocorre, ela rapidamente perceberá que para se averiguar o preciso significado da palavra “mundo” em qualquer passagem, não será nem um pouco fácil como é popularmente suposto. A palavra “kosmos”, e seu equivalente em português “mundo”, não é usada com um significado uniforme no Novo Testamento. Extremamente longe disso. Ela é usada em um número de formas absolutamente diferentes. Abaixo nos referiremos a algumas poucas passagens onde este termo ocorre, sugerindo uma tentativa de definição em cada caso:

"Kosmos" é usado para definir o Universo como um todo: Atos 17:24 – “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra”.

"Kosmos" é usado para definir a terra: João 13:1; Efésios 1:4, etc., etc.- "Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”. “Passar destemundo” significa, deixar esta terra. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo”, Esta expressão significa, antes da terra ser fundada – compare Jó 38:4, etc.

"Kosmos" é usado para definir o sistema mundial: João 12:31, etc. “Agora, é o juízo deste mundo; agora, será expulso o príncipe destemundo” – compare Mateus 4:8 e 1 João 5:19.

"Kosmos" é usado para definir toda a raça humana: Romanos 3:19, etc. – “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus”.

"Kosmos" é usado para definir a humanidade menos os crentes: João 15:18, Romanos 3:6. “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim”. Os crentes não “odeiam” a Cristo, de forma que “o mundo” aqui deve significar o mundo de descrentes em contraste com os crentes que amam a Cristo. “De maneira nenhuma! Doutro modo, como julgará Deus o mundo?”. Aqui é outra passagem onde “o mundo” não pode significar “você, eu, e cada pessoa”, porque os crentes não serão “julgados” por Deus, ver João 5:24. De forma que aqui, também, deve ser o mundo de descrentes que está em vista.

"Kosmos" é usado para definir os Gentios em contraste com os Judeus: Romanos 11:12, etc. “E, se a sua (Israel) queda é a riqueza domundo, e a sua (Israel) diminuição, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude (de Israel) !”. Note como a primeira cláusula em negrito é definida pela última cláusula colocada em negrito. Aqui, novamente, “o mundo” não pode significar toda a humanidade porque ele exclui Israel!

"Kosmos" é usado para definir somente os crentes: João 1:29; 3:16,17; 6:33; 12:47; 1 Coríntios 4:9; 2 Coríntios 5:19. Nós deixaremos nossos leitores se voltarem para estas passagens, pedido-lhes notar, cuidadosamente, exatamente o que é dito e relacionado com “o mundo” em cada lugar.

Assim, pode ser visto que “kosmos” tem pelo menos sete significados diferentes claramente definidos no Novo Testamento. Pode ser perguntado: Deus tem usado então uma palavra assim para confundir e embaraçar aqueles que lêem as Escrituras?
Nós respondemos: Não! nem tem Ele escrito Sua Palavra para pessoas preguiçosas que são tão negligentes, ou tão ocupadas com as coisas deste mundo, ou, como Marta, tão ocupadas em “servir”, que não têm tempo e nem coração para “examinar” e “estudar” as Escrituras Sagradas!
Poderia ser ainda perguntado: Mas como é que um examinador das Escrituras sabe qual dos significados acima o termo “mundo” tem em alguma determinada passagem?
A resposta é: Isto pode ser averiguado por um estudo cuidadoso do contexto, diligentemente notando qual é a relação de “o mundo” em cada passagem, e em total oração consultando outras passagens paralelas àquela que está sendo estudada. O principal assunto de João 3:16 é Cristo como o Dom de Deus. A primeira cláusula nos diz que Deus foi movido a “dar” Seu Filho unigênito, e isto por Seu grande “amor”; a segunda cláusula nos informa para quem Deus “deu” Seu Filho, e é para “todo aquele (ou, melhor, ‘cada um’) que crê”; enquanto a última cláusula faz conhecido porque Deus “deu” Seu Filho (Seu propósito), e isto é para que todo aquele que crê “não pereça mas tenha a vida eterna”. Que “o mundo” em João 3:16 refere-se ao mundo de crentes (os eleitos de Deus), em distinção com “o mundo dos ímpios” (2 Pedro 2:5), é estabelecido, inequivocadamente estabelecido, por uma comparação com outras passagens que falam do “amor” de Deus. ”Mas Deus prova o seu amor para CONOSCO” – os santos, Romanos 5:8. ”Porque o Senhor corrige o que ama” – todo filho, Hebreus 12:6. “Nós o amamos porque ele NOS amou primeiro” – os crentes, 1 João 4:19. Do ímpio Deus tem “piedade” (ver Mateus 18:33). Para os ingratos e maus Ele é “bom” (ver Lucas 6:35). Os vasos de ira Deus suporta “com muita paciência” (ver Romanos 9:22). Mas “os Seus”, Deus “ama”!

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Fonte: www.monergismo.net.br

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Gloriando-se na Cruz de Cristo

Gloriando-se na Cruz de Cristo
Por Robert Murray M'Cheyne

“Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz
de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado
para mim e eu para o mundo.” (Gálatas 6:14)

Doutrina: Gloriando-se na cruz.

I. O assunto aqui falado por Paulo e á a cruz de Cristo. Essa palavra é usada em três sentidos diferentes na Bíblia. É importante distingui-los:
1. Ela é usada para significar a cruz de madeira, o madeiro sobre o qual o Senhor Jesus foi crucificado. A punição da cruz foi uma invenção Romana. Era usada apenas no caso de escra-vos, ou malfeitores mui notórios. A cruz era feita de duas vigas de madeira que se cruzavam. Ela era colocada no chão e o criminoso, estendido sobre ela. Um cravo era pregado em cada mão, e outros dois em ambos os pés. Em seguida, a cruz era levantada na posição vertical, e deixada cair em um buraco, em que era presa. O homem crucificado era então era deixado para morrer, pendurado por suas mãos e pés. Esta foi a morte a que Jesus se rebaixou. “Ele suportou a cruz, desprezando sua ignomínia”. “Tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Mateus 27:40, 42; Marcos 15:30, 32; Lucas 23:26; João 19:17, 19, 25, 31; Efésios 2:16).
2. Ela é usada para significar o caminho da salvação por Jesus Cristo crucificado. Assim, em 1 Coríntios 1:18: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”, em comparação com o versículo 23: “Mas nós prega-mos a Cristo crucificado...”. Aqui é evidente que a pregação da cruz e a pregação de Cristo crucificado são a mesma coisa. Este é o significado da passagem diante de nós: “Mas longe esteja de mim gloriar-me...”. Este é o nome dado a todo o plano de salvação pelo Redentor crucificado. Essa pequena palavra implica toda a obra gloriosa de Cristo por nós.
Esta palavra implica o amor de Deus em dar o Seu Filho (João 3:16); o amor de Cristo em entregar a Si mesmo (Efésios 5:25); a encarnação do Filho de Deus; Sua Substituição, um por muitos, seus sofrimentos expiatórios e morte. Toda a obra de Cristo está incluída nessa pe-quena expressão: a cruz de Cristo. E a razão é simples; Sua morte na cruz foi o ponto mais baixo de Sua humilhação. Foi ali que Ele clamou: “Está consumado”, o trabalho da minha obe-diência está consumado! Meus sofrimentos terminaram, a obra da Redenção está completa, Issuu.com/oEstandarteDeCristo

a ira do meu povo está extinta. E, então, Ele reclinou a cabeça, entregou o espírito. Daí toda a Sua obra consumada é chamada de: a cruz de Cristo.
3. Cruz também é uma palavra usada para significar os sofrimentos suportados por aqueles que seguem a Cristo.
“Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mateus 16:24). Quando um homem se determina a seguir a Cristo, ele deve abandonar seus prazeres e suas companhias pecaminosas. Ele encontra escárnio, zombaria, desprezo, ódio e perseguição dos antigos amigos. O seu nome e desprezado como mau. “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”. Agora, en-contrar-se com tudo isso é “tomar a cruz”. “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” [Mateus 10:38].
Na passagem diante de nós as palavras são usadas no segundo sentido, o plano de salvação por meio de um Salvador crucificado.
Queridos amigos, é isso que está diante de vocês no pão partido e vinho derramado; toda a obra de Cristo para a salvação dos pecadores. O amor e a graça do Senhor Jesus estão todos reunidos em um foco ali. O amor do Pai, o Pacto com o Filho, o amor de Jesus, Sua encarna-ção, obediência, morte todas estão postas diante de vocês nestes pão e vinho partidos. É um sermão doce, silencioso. Muitos sermões não contêm Cristo do começo ao fim. Muitos O mostram com ar de dúvida e imperfeitamente. Mas aqui não há outra coisa senão Cristo e este crucificado. A mais rica e eloquente ordenança! Orem para que a própria visão deste pão partido possa quebrantar seus corações, e faça-os fugir para o Cordeiro de Deus. Orem por conversões a partir da visão do pão partido e vinho derramado. Olhem com atenção, queridas almas e crianças pequenas, quando o pão é partido e o vinho vertido. É uma visão que afeta o coração. Que o Espírito Santo abençoe isso. Caros crentes, olhem vocês com atenção, para que obtenham visões mais profundas, mais plenas do caminho do perdão e da santidade.
Um olhar dos olhos de Cristo quebrou e derreteu o coração orgulhoso de Pedro; ele saiu e chorou amargamente. Orem para que um único olhar deste pão partido possa fazer o mesmo por vocês. Quando o centurião romano, que velava ao lado da cruz de Jesus, O viu morrer, e rochas se fenderam, ele bradou: “Verdadeiramente este era Filho de Deus!” [Mateus 27:54]. Olhe para este pão partido, e você verá a mesma coisa, e que seu coração seja levado a clamar por pelo Senhor Jesus. Quando o ladrão moribundo olhou o rosto pálido de Emanuel, e viu a Majestade santa que sorriu com Seus olhos agonizantes, clamou: “Senhor, lembra-te de mim!” [Lucas 23:42]. Este pão partido revela a mesma coisa. Que a mesma graça seja dada a você, e que possa suscitar o brado: “Senhor, lembra-te de mim!”. Oh! obtenham visões Issuu.com/oEstandarteDeCristo

mais plenas de Cristo, queridos crentes. O milho da safra, às vezes, amadurece mais em um dia do que em semanas anteriores. Assim, alguns Cristãos ganham mais graça em um dia do que durante os meses anteriores. Orem para que este possa ser um dia de colheita e de amadurecimento em suas almas.
II. Os sentimentos de Paulo em relação à cruz de Cristo: “Longe de mim…”.
1. Está implícito que ele absolutamente havia deixado o caminho da justiça pelas obras da Lei. Todo homem natural busca a salvação através tentar melhorar a si mesmo aos olhos de Deus. Ele tenta consertar sua vida, ele coloca um freio na língua, ele tenta comandar seus sen-timentos e pensamentos, tudo para tornar-se melhor aos olhos de Deus. Ou, então ele irá mais longe: tenta cobrir pecados passados por meio de observâncias religiosas. Ele se torna um homem religioso; ora, chora, lê e participa dos sacramentos, fica profundamente ocupado com a religião, e tenta colocá-la em seu coração, tudo para tornar a si mesmo, na aparência, bom aos olhos de Deus, para que ele possa colocar Deus sob dívida para perdoá-lo e amá-lo.
Paulo tentou este plano por muito tempo. Ele era um Fariseu, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível; ele viveu uma vida exteriormente inculpável, e foi altamente considerado como um homem dos mais religiosos. “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo” [Filipenses 3:7]. Quando aprouve a Deus abrir os seus olhos, ele abandonou esta forma de justiça própria para todo o sempre; ele não tinha mais qualquer paz em olhar para dentro: “e não confiamos na carne” [Filipenses 3:3]; ele se despediu para sempre dessa forma de buscar a paz. Ele a pisoteou: “E as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” [Fili-penses 3:8]. Oh! é uma coisa gloriosa, quando um homem é levado a pisotear a sua justiça pró-pria, esta é a coisa mais difícil do mundo.
2. Ele dirigiu-se ao Senhor Jesus Cristo. Paulo teve tal visão da glória, brilho e excelência do caminho da Salvação por meio de Jesus, que isso preencheu todo o seu coração. Todas as outras coisas afundaram em pequenez. Todo monte e outeiro foi abatido, o torto foi endireita-do, os lugares ásperos aplainados, e a glória do Senhor foi revelada. Como o nascer do sol faz com que todas as estrelas desapareçam, assim a ascensão de Cristo sobre a sua alma fez todo o restante desaparecer. Os sofrimentos de Jesus por nós encheram os seus olhos e o seu coração. Ele viu, creu e alegrou-se. Cristo, supriu todas as suas necessidades. Da cruz de Cristo um raio de luz celestial inflamou a sua alma, enchendo-o de luz e alegria indizíveis. Ele sentiu que Deus foi glorificado, e ele foi salvo. Ele abriu caminho para o Senhor com todo o propósito do coração. Como Jonathan Edwards diz: “eu estava inefavelmente satisfeito”.
3. Ele se gloriava na cruz. Ele confessou a Cristo diante dos homens, ele não tinha vergonha Issuu.com/oEstandarteDeCristo

de Cristo diante daquela geração adúltera. Paulo se vangloriou de que este era o caminho do perdão, da paz e da santidade. Ah! que mudança! uma vez ele blasfemou contra o nome de Jesus, e perseguia até a morte aqueles que invocavam o Seu nome; agora esta é toda a sua jactância: “E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus” [Atos 9:20]. Uma vez ele se gloriou de sua vida inculpável, quando ele estava entre os Fariseus; agora ele se gloria no fato de que ele é o principal dos pecadores, mas que Cristo morreu por tais como ele. Uma vez ele se gloriou de sua erudição, que ele se sentou aos pés de Gamaliel; agora ele se gloria em ser considerado como louco por amor de Cristo, em ser uma criancinha condu-zida pela mão de Jesus. À mesa do Senhor, entre seus amigos, nas cidades pagãs, em Ate-nas, em Roma, entre os sábios ou insensatos, diante de reis e príncipes, ele se gloria nisto como a única coisa digna de ser conhecida: o caminho da salvação por Jesus Cristo e este crucificado.
Queridos amigos, vocês foram levados a se gloriarem somente na cruz de Cristo?
1. Você se desprendeu do antigo caminho da salvação pelas obras da Lei? Seu coração natural está firmado sobre este caminho. Você está sempre buscando se tornar melhor e melhor até que você possa colocar Deus sob a obrigação de perdoá-lo. Você está sempre olhando para dentro de si mesmo, buscando por justiça ali. Você está olhando para a suas convicções, para sua tristeza pelos pecados passados, para suas lágrimas e orações ansio-sas. Ou você está olhando para o seu interior, para sua honestidade, para o abandono dos conselhos dos ímpios e para as lutas por uma nova vida. Ou, então você está olhando para os seus próprios exercícios religiosos, para o seu fervor e coração, para o crescimento em oração ou na frequência à casa de Deus. Ou você está olhando para a obra do Espírito Santo em você, para as graças do Espírito. Ai! Ai! A cama é mais curta do que você possa esticar-se sobre ela, a cobertura é mais estreita do que você possa cobrir-se nela. Desespere-se por perdão neste caminho. Desista para sempre. Seu coração é desesperadamente corrupto. Cada justiça que há em seu coração vem acompanhada de vileza e corrupção, e não pode aparecer diante da vista de Deus. Considere tudo como perda, trapos de imundícia, refugo, para que você possa ganhar a Cristo.
2. Vá ao Senhor Jesus Cristo. Acredite no amor do Senhor Jesus Cristo. Ele se deleita na misericórdia; Ele está pronto para perdoar, misericórdias fluem dEle. Ele justifica o ímpio. Você já viu a glória da cruz de Jesus? Isto atraiu o seu coração? Você se sente inexplicavelmente satisfeito com esse caminho de Salvação? Você vê que Deus é glorificado quando você é salvo? que Deus é um Deus de majestade, verdade, santidade imaculada e justiça inflexível, e ainda assim você é justificado? Será que a cruz de Cristo preenche o seu coração? Isto produz uma grande calma em sua alma, um descanso celestial? Você ama essa expressão: Issuu.com/oEstandarteDeCristo

“a justiça de Deus”; “a justiça que é pela fé”, a justiça sem as obras? Você contempla a cruz? Será que a sua alma descansa ali?
3. Glorie-se apenas na cruz de Cristo. Observe, não pode haver um Cristão secreto. A graça é como perfume escondido na mão, ela denuncia a si mesma. Um Cristão vivificado não pode manter o silêncio. Se você realmente sente a doçura da cruz de Cristo, você será constrangido a confessar a Cristo diante dos homens. É como “o bom vinho... que se bebe suavemente, e faz com que falem” [Cânticos 7:9]. Você O confessa em sua família? Você dá a conhecer ali que você é de Cristo? Lembre-se, você deve ser resoluto em sua própria casa. A marca do hipócrita é ser um cristão em todos lugares, exceto em sua própria casa. Entre os seus com-panheiros, você tem a Cristo por um amigo a quem você encontrou? Na loja e no mercado, você está disposto a ser conhecido como um homem lavado no sangue do Cordeiro? Você almeja que todos os seus negócios estejam sob as doces regras do Evangelho? Venha, então, à mesa do Senhor e confesse Aquele, que salvou a sua alma. Oh! Permita que esta possa ser uma verdadeira, livre e plena confissão. Jesus Cristo é o meu doce alimento, meu cordeiro, minha justiça, meu Senhor e meu Deus, meu tudo em todos. “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz”. Uma vez você se vangloriou nas riquezas, amigos, fama, pecado; mas, agora, em um Jesus crucificado.
III. Os efeitos. “O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”. “Se alguém está em Cristo Jesus, nova criatura é...” [2 Coríntios 5:17]. Quando o mendigo cego de Jericó teve seus olhos abertos pelo Senhor, este mundo estava todo modificado para ele, e ele para o mundo.
Assim foi com Paulo, não mais depressa ele elevou-se de seus joelhos, com a paz de Jesus em seu coração, que o mundo foi definitivamente desprezado aos seus olhos. Enquanto ele corria sobre as pedras lisas nas ruas de Damasco, ou olhava para baixo do telhado plano de sua casa sobre os belos jardins nas margens de Abana, o mundo e todo o seu deslumbrante espetáculo pareciam aos seus olhos uma coisa pobre, murcha, crucificada. Uma vez isto foi o seu tudo. Uma vez suas lisonjas macias e escorregadias eram agradáveis como música ao seu ouvido. Uma vez o coração de Paulo esteve posto sobre tudo que o olho natural: riquezas, beleza e prazeres; mas no momento em que ele creu em Jesus, tudo isto começou e definhar. É verdade que eles não foram mortos definitivamente, mas estavam pregados em uma cruz. Eles não tinham mais aquela atração viva para eles, a qual uma vez tiveram; e agora todos os dias eles começavam a perder o seu poder. Como um homem morrendo na cruz enfraquece a cada momento, enquanto o sangue do seu coração escorre a partir das suas feridas profundas de suas mãos e pés, aquilo que uma vez foi o seu tudo, começou a perder a cada momento seu poder de atração. Ele provou tanta doçura em Cristo: o perdão, o acesso a Issuu.com/oEstandarteDeCristo

Deus, o sorriso de Deus, o Espírito habitando nEle, e por isso a cada dia o mundo tornava-se mais insípido para ele.
Outro efeito foi: “Eu para o mundo”. Enquanto Paulo colocava a mão sobre o seu próprio peito, ele sentia que esse também havia sido transformado. Ele uma vez foi um corajoso cavalo de corrida que corre com ímpeto e não pode ser freado; uma vez Ele foi uma raposa caçadora ao aroma impaciente da cólera; outra vez seu coração corria atrás de fama, honra e elogios do mundo; mas agora estava pregado na cruz, com o coração quebrantado e contrito. É ver-dade que ele ainda não estava morto e que muitos vacilos despertaram sua velha natureza, fato que o levou aos seus joelhos e o fez clamar por graça para auxílio; porém, ainda assim, quanto mais ele olhou para a cruz de Jesus, mais o seu velho coração foi mortificado. A cada dia ele sentia menos desejo de pecar e mais desejo por Cristo, por Deus e por perfeita san-tidade.
Alguns podem descobrir que nunca vieram a Cristo. Será que o mundo está crucificado para você? Uma vez que este era o seu tudo: o seu louvor, suas riquezas, suas canções, e felizes inclinações? Isso já foi pregado na cruz em sua visão? Oh! coloque a mão em seu coração. Foi-se o seu desejo ardente por coisas terrenas? Os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.
Você sente que Jesus crucificou as suas paixões? Você deseja que elas sejam mortificadas? Que resposta vocês podem dar, filhos e filhas do prazer, para quem a dança e música, o espelho e as respostas chistosas são a soma da felicidade? Vós não sois nada de Cristo.
Que resposta vocês podem dar, amantes do dinheiro, sórdidos fazedores de dinheiro, que preferem ser um pouco mais soberanos do que ter a graça de Deus em seu coração? Que resposta vocês podem dar, gratificadores da carne, caminhantes da noite, amantes da escuri-dão? Vós não sois de Cristo. Vocês não vieram a Cristo. O mundo está completamente vivo para vocês, e vocês estão vivos para o mundo. Vocês não podem se gloriar na cruz, e amar o mundo. Ah! pobres almas iludidas, vocês nunca viram a glória do caminho do perdão por Jesus. Vão em frente; amem o mundo, agarrem cada prazer, reúnam montes de dinheiro, alimentem e engordem as suas concupiscências, saciem-se. Do que isso adiantará a vocês quando perderem sua própria alma?
Alguns estão dizendo: Ó, que mundo fosse crucificado para mim e eu para o mundo! Ó, que o meu coração fosse tão morto quanto uma pedra para o mundo, e vivo para Jesus! Você realmente deseja isso? Então, olhe para a cruz. Contemple o maravilhoso dom do amor. A salvação é prometida a um olhar. Sente-se como Maria, e contemple a Jesus crucificado. Assim o mundo se tornará uma coisa ofuscada e moribunda. Quando você olha o sol isso faz

com que todas as outras coisas escureçam; quando você prova o gosto de mel, isso faz com que todo o mais se torne amargo. Semelhantemente, alimentar-se de Jesus retira a doçura de todas as coisas terrenas: elogios, prazeres, desejos carnais, todos estes perdem a sua doçura. Mantenha um olhar contínuo. Corra, olhando para Jesus. Olhe, até que o caminho da salvação por Jesus preencha todo o horizonte, tão glorioso e em linguagem de paz. Então, o mundo estará crucificado para você, e você para o mundo.

25 de Outubro de 1840

Via o Estandarte de Cristo
Deus Ama Todo o Mundo?
Martyn McGeown
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Rev. Derek Dunn, no Ballymena Times (15 February, 2006), repetiu o
mito que Deus ama todo o mundo. Deus ama o mundo, mas na Escritura isso
raramente significa toda a raça humana (João 7:4; 12:19; Atos 17:6; 1Co.
11:32). No Antigo Testamento, Deus amava somente a nação de Israel (Dt.
7:7), mas mesmo então nem todo israelita, pois “nem todos os que são de
Israel são israelitas” (Rm. 9:6). No Novo Testamento Deus ama pecadores de
todas as nações, por conseguinte o termo “mundo”. O que é geralmente
negado é que Deus odeia alguns pecadores, tanto eles como os seus pecados.
Por exemplo, Deus odiou Esaú (Rm. 9:13) e ele “odeia a todos os que
praticam a maldade” (Sl. 5:5).
Cristo veio para salvar somente aqueles a quem Deus ama, não Judas,
Herodes, Pilatos ou outros “cujos nomes não estão escritos no livro da vida,
desde a fundação do mundo” (Ap. 17:8). Antes, Cristo veio para salvar
aqueles que o Pai tinha lhe dado (João 6:37-39; 17:2). Cristo, “como havia
amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13:1), não a
todos no mundo. Em Cristo, pecadores eleitos são amados (Ef. 1:4-6), mas
fora de Cristo, pecadores são odiados por Deus, pois Deus “não tem prazer
na iniqüidade” (Sl. 5:4), mas “ama a justiça” (Sl. 11:7). Cristo em amor morreu
por suas amadas ovelhas, mas não morreu nem orou pelos bodes (João 10:26-
27; 17:9).
O amor de Deus é eficaz. Ele salva de fato os objetos de seu amor.
Deus busca aqueles a quem ama, e faz com que os recipientes desse amor O
amem (1 João 4:19). Visto que Deus não é obrigado a amar ninguém, mas
escolhe livremente a quem amará, o homem não pode se queixar (Rm. 9:13-
20). Ensinar que Deus ama todo o mundo (mesmo aqueles que terminam no
inferno) é roubar o filho de Deus do conforto e é “encorajar os ímpios a não
se desviarem dos seus maus caminhos para salvarem a sua vida” (Ez. 13:22,
NVI).
Alguns podem perguntar: se Deus não ama todo o mundo, por que a
Bíblia usa linguagem universal, tais como o Senhor não “quer que nenhum
pereça” (2 Pedro 3:9, RA) ou “todo aquele que invocar o nome do SENHOR
será salvo” (Rm. 10:13). Tais objeções desconsideram o contexto e mostram
ignorância da linguagem. Freqüentemente usamos linguagem universal.
Quando o professor pergunta, “Todo o mundo tem uma caneta?”, ele quer
2
dizer apenas a sua classe. Quando um pai diz, “Todo o mundo entre no
carro!”, ele refere-se somente à sua família.
Considere Mateus 10:22 (“odiados de todos sereis”), João 3:26 (“e todos
vão ter com ele”), Atos 19:19 (“trouxeram os seus livros, e os queimaram na
presença de todos”) e Romanos 16:19 (“quanto à vossa obediência, é ela
conhecida de todos”). Nessas passagens, “todos” não pode ser tomado como
significando a raça humana inteira. Similarmente, “todo o que” significa
“todos aqueles que…”. Não significa todo o mundo. “Todo o que nele crê”
(João 3:16, RA) significa todos aqueles que crêem, ou “todos os crentes”.
2 Pedro 3:9 foi escrito como uma resposta a escarnecedores e para dar
conforto com respeito à demora percebida do retorno de Cristo. O Senhor
não tinha retornado, pois Deus é longânimo para “conosco”. Deus não é
longânimo para com todo o mundo. Deus não quer que seu povo (“nós”, no
“conosco”) pereça, e visto que a “longanimidade de Deus é salvação” (2 Pedro
3:15, KJV)2, todos aqueles a quem Deus é longânimo serão salvos.
Similarmente, “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”
(Rm. 10:13) não significa que todo o mundo pode ou invocará o nome do
Senhor. A Palavra de Deus ensina que os pecadores odeiam a Deus (Rm. 8:7)
e não invocarão o seu nome. Isaías lamenta que “ninguém há que invoque o
teu [i.e., de Deus] nome” (Is. 64:7) e Paulo escreve: “não há ninguém que
busque a Deus” (Rm. 3:11). O fato de alguns invocarem a Deus é obra do
Espírito de Deus, que graciosamente dá fé e arrependimento a alguns (Atos
11:18; Ef. 2:8; Fp. 1:29), mas cega e endurece a outros (Js. 11:20; Mt. 11:25;
João 12:40; Rm. 9:18).


 Via Monergismo